Afonso Melo: “Percebe-se o incómodo de haver a possibilidade de 36 ser o dobro de 18”

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A fotografia que ilustra este texto é da base do troféu que se entrega ao vencedor da Taça de Portugal. Nele se vê que em 1935/36 foi conquistado pelo Sporting. Mas, pelos vistos, não foi. Uma deliberação de 1939 da FPF assinalou: “Por virtude da reforma que se procedeu no Estatuto e Regulamentos da Federação osCampeonatos das Ligas e de Portugal passaram a designar-se, respectivamente, Campeonatos Nacionais e Taça de Portugal”.

Nada disso! Mentira! Eis o que algum iluminado um dia exclamou em Alvalade. Seria pateta se não fosse patético. Resolveu tal cérebro cavernoso fazer o revisionismo da história do futebol em Portugal, embora não tenha conseguido, pelos vistos, apagar esta fotografia. Estalinista de trazer por casa, portanto. Quer alguém dentro do Sporting que o Carcavelinhos tenha sido campeão nacional em 1927/28. E que o Olhanense (1923/24) e o Marítimo (1925/26) também. E que entre 1935 e 1938 tenham coexistido dois campeões nacionais – por duas vezes Benfica e Sporting, que curioso…

Há contas fáceis e outras mais difíceis de fazer. Percebe-se o incómodo de haver a possibilidade de 36 ser o dobro de 18, e o incomodado larga o ábaco e usa a imaginação.

Ou, neste caso, a trampolinice. Próximo passo? Naturalmente apagar da base do troféu da Taça de Portugal as quatro primeiras vitórias do Sporting e transformá-las em campeonatos que não foram ganhos. Há de facto “inteligências humanas” – como diz essa talvez humana figura – que ultrapassam todas as inteligências. Humanas ou não…


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