João Gabriel: “Em quatro anos Bruno de Carvalho não aprendeu que gerir um clube… A imaturidade passa fatura”

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RECORD – O Benfica parte como favorito?

JOÃO GABRIEL – Um tetracampeão tem de assumir que quer ser penta e espero que o druida-mor (risos) aposte mais no penta e menos na redução de passivo, embora perceba que recuperada a vertente desportiva se queira salvaguardar o futuro e tratar da vertente financeira.

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R – É inevitável no fim de cada época vender as joias da coroa?

JG – É quase impossível competir com os grandes clubes espanhóis e ingleses a nível económico. E é muito arriscado pedir a um jogador que fique em Portugal, sabendo que pode multiplicar por dois ou três o vencimento atual. O segredo é repor as peças com a mesma ou, até, mais qualidade, e isso o Benfica tem sabido fazer.

R – Mas mudando a estrutura de equipa todos os anos é difícil aspirar a melhorar as prestações que a equipa tem tido na Champions?

JG – O que o Benfica fez nos últimos dois anos é excelente, principalmente quando vemos os tubarões que não conseguem chegar à fase que o Benfica tem sabido chegar e creio que nesse aspeto há muito mérito de Rui Vitória. Mudou o paradigma do futebol do Benfica. Teve a coragem que poucos teriam tido.

“Sporting é candidato”

R – Jorge Jesus foi um dos seus ‘alvos’ nestes dois anos. Há alguma razão particular?

JG – Jesus foi durante seis anos o meu treinador e não tenho nenhum problema em reconhecer que tem qualidades, mas também tem carências. É bom tecnicamente, é mau a gerir recursos humanos. Mas a falta de gratidão que teve na saída do Benfica e já não digo em relação ao clube, mas em relação a Luís Filipe Vieira revela muito daquilo que é e do que nunca será. Na minha vida sempre fui grato a todos os que me ajudaram. Isso define-nos.

R – O Sporting é candidato?

JG – Tem de ser candidato, uma vez mais investiu para isso, embora creio que também vá ter de vender alguns jogadores. O principal problema vai ser a desconfiança mútua que há entre treinador e presidente.

R – E porque diz isso?

JG – Um treinador é tanto mais forte quanto tiver total confiança do seu presidente. Quando esse vínculo se quebra, a relação está comprometida. A saída de Octávio é apenas mais um sinal.

R – E acha que quebrou?

JG – Quebrou e Jesus sabe-o. Em quatro anos Bruno de Carvalho não aprendeu que gerir um clube com a grandeza do Sporting exige recato e moderação. A imaturidade passa fatura.

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