Levámos com 9 meses de insinuações sobre o caso do túnel, no dérbi, para não dar em nada. E agora?

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Foram meses e meses a acusarem o Benfica de tudo e mais alguma coisa. Ameaçaram com a divulgação de imagens e audio do que se passou no túnel. Apresentaram queixas e mais queixas numa de criar polémica prejudicando o Benfica.

Meses depois tudo não passou de uma mentira do Sporting. Mais um teatro criado para desgastar a imagem do Tetracampeão nacional. Não divulgaram as imagens e muito menos o audio das mesmas pois já sabiam que nada do que disseram era verdade.

Artur Soares Dias descreveu a conversa com Rui Costa no intervalo do Sporting-Benfica da época passada, disputado em abril, e que motivou uma participação disciplinar dos Sporting, que acusavam o diretor-desportivo do Benfica, bem como o treinador Rui Vitória e o assessor jurídico Paulo Gonçalves de tentarem coagir o árbitro portuense para a segunda parte.

“Confirmo ao intervalo a existência de uma troca de palavras no túnel com elementos do Benfica e do Sporting, no meu entender sem conteúdo significativo relevante para mencionar esses fatos no relatório, assim como acontece na maioria dos jogos, onde os elementos da equipa evidenciam as sua razões de discórdias das decisões tomadas no primeiro tempo”, começou por descrever Soares Dias, garantindo nunca ter sentido a sua competência “colocada em causa”.

“Em nenhum momento a minha atitude foi diferenciado entre os elementos das duas equipas, mantendo o diálogo e a calma habitual de forma a naturalizar os ânimos que por norma são emocionantes e fervorosos neste tipo de jogos”, prosseguiu o árbitro, salientado que a sua conduta “teria sido a mesma caso a conversa tivesse ocorrido em pleno relvado”. “Termino realçando que em nenhum momento me senti condicionado, nem senti que tivesse sido posta em causa a minha competência, uma vez que o diálogo foi cordial e normal”, garantiu.

Os delegados da Liga, por sua vez, confirmaram que Rui Costa e Soares Dias “conversaram acerca de alguns lances mais controversos ocorridos na primeira parte do jogo”. “Diálogo este que, que ocorreu de forma normal, tranquila, calma, aberta e igual a tantas outras conversas que ocorrem semanalmente nos estádios de futebol”, explicaram, garantindo que “nunca ocorreu qualquer tentativa de ‘pressionar, coagir e influenciar o discernimento da equipa de arbitragem para a segunda parte do jogo’ como fantasiosamente pretende fazer passar a participação disciplinar efectuada pela Sporting Clube de Portugal – Futebol, SAD”.

Reinaldo Teixeira, coordenador dos delegados da Liga, também foi ouvido, pois estava no túnel de Alvalade e foi indicado como testemunha. “O sr. Rui Costa interpelou o árbitro principal da partida, dizendo-lhe num tom cordial e respeitoso algo como ‘Ò Artur, o que é que é preciso para marcar penáltis? São logo dois’, respondendo ato contínuo o referido árbitro ‘Ó Rui, essa é a tua opinião, eu não vi penáltis nenhuns'”, pode ler-se no acórdão divulgado esta terça-feira pelo CD.

“Nesse momento chegam dois elementos da equipa do Sporting, nomeadamente Raul José, treinador-adjunto, e Nélson, treinador de guarda-redes, que se dirigem a Rui Costa, afirmando ‘Joguem à bola, não reclamem’. A esta afirmação o sr. Árbitro responde dizendo ‘A conversa não é convosco, posso conversar com este Senhor?’. E com esta resposta do Sr. Árbitro os referidos elementos da Sporting SAD dirigiram-se para o seu balneário”, conta Reinaldo Teixeira.

Segundo a mesma testemunha, nesse momento já estavam na zona do túnel Luís Filipe Vieira e Paulo Gonçalves. Este último “não emitia opinião, estando um pouco mais afastado do local onde os agentes desportivos dialogavam”. “O presidente Luís Filipe Vieira dirigia-se somente aos seus jogadores com as seguintes expressões ‘É hora de descanso. Vamos para o balneário. Balneário, balneário’, ao mesmo tempo encaminhando-os para o referido balneário”, conta.

O Conselho de Disciplina viu também as imagens do sistema de videovigilância. “Ainda que pontualmente a conduta dos agentes desportivas ora em causa se possa aproximar, ali ou acolá, de revelar maior exaltação, julgamos que não têm as mesmas nem a virtualidade de colocar em causa ‘a palavra’ dos agentes de arbitragem, quanto a factos por si diretamente percecionados e no exercício das suas funções, nem sequer de romper as malhas de qualquer ilícito disciplinar”, pode ler-se.

Por isso, e considerando que os factos apurados “se traduzem num manifestar de discordância relativamente a decisões da equipa de arbitragem num quadro de respeito pelo árbitro”, ”

afiguram-se suficientes para afastar a prática de qualquer ilícito disciplinar ou, no mínimo, sustentar uma dúvida razoável sobre a conclusão essencial do cometimento, pelos arguidos, das infracções pelas quais vinham indiciados”.

Passado tudo isto, quem foi penalizado foi o Benfica. E o que acontece agora a quem mentiu e fez uma queixa desnecessária? 

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