Como é já tradição, a edição de 2 de janeiro de A BOLA conta com uma entrevista a Luís Filipe Vieira, onde o presidente encarnado faz o balanço do ano que passou e revela as linhas mestras do clube para os próximos 12 meses. Desta feita a conversa foi feita com um Luís Filipe Vieira muito sereno, fruto da estabilidade social em que o Benfica está a viver e de urna planificação que coloca os encarnados a salvo do improviso. Pode dizer-se, falando com Luís Filipe Vieira, que o tempo de navegar à vista faz parte do passado. Nas páginas que se seguem o leitor encontrará os projetos que o presidente encarnado quer levar a cabo a partir de 2017, e que não têm só a ver diretamente com a equipa principal de futebol. São objetivos estruturantes para o clube, nas áreas da comunicação, associativismo, cultura e negócio, merecendo principal destaque, pela envergadura de que se reveste, a construção de um Centro de Alto Rendimento que sirva as necessidades quer das modalidades de alta competição, quer do futebol. O Benfica sabe o que quer, para onde vaie como vai. Por exemplo, o líder encarnado tem conhecimento profundo relativamente aos jogadores emergentes do clube, aqueles que podem assumir as vagas deixadas pelos jovens de alto potencial que sejam transferidos. E é com orgulho que Vieira refere que Rui Vitória tem planos de curto, médio e longo prazo que tornam o Seixal urna peça fundamental do desenvolvimento do Benfica.

— Qual foio momento mais feliz do seu ano desportivo de 2016?

— O momento em que ficou claro que valeu a pena apostar na formação, trabalhar com uma equipa focada no êxito do Benfica e nunca desistir ou deixar que nos dividissem. Fatores que nos levaram à conquista do tricampeonato de futebol e a bons resultados nas outras modalidades. Naturalmente, que também, como português e amigo do Fernando Santos, vibrei com a conquis-ta do Europeu de Futebol em França.

E a situação mais desagradável?
— Sempre que os resultados ficam aquém do trabalho que realizamos.

— O Benfica acabou o ano de 2016 mais forte do que tinha acabado o ano de 2015?
— Espero que volte a fazer-me a mesma pergunta em 2017. Será sinal que voltámos a fazer as apostas certas, a trabalhar no bom sentido e a ter resultados. Significará que essa ideia existe e perdura. Mas é bom recordar que há um ano tinha existido uma mudança no topo do futebol do Benfica e hoje existe uma maior estabilidade, pelo que é natural uma melhoria nos resultados.

— Porquê?
— Porque aprendemos com as dinâmicas de cada ano e trabalhamos focadas no êxito do Benfica, mas, sempre preservámos a nossa privacidade e sempre procurei resguardar a família como sempre dizemos, o importante não é como começamos ou estamos num determinado momento, mas como acabamos.

— Até que ponto ser presidente do Benfica já se confunde com quem é o Luís Filipe Vieira?
— Nunca fiz essa confusão. Desde que iniciámos o caminho de resgatar a credibilidade do Sport Lisboa e Benfica que ficou claro que nada é mais importante que a instituição. O Benfica é maior do que quem, em cada momento, está na sua liderança. Confundir isso é um erro básico sem sentido, de quem só se gosta de ver e de ouvir.

— A sua família já está habituada a esta situação e a um mediatismo que por vezes está longe de ser agradável?
— Muito do que foi feito só foi possível como apoio e a compreensão da minha família como em qualquer atividade intensa, o que mais custa são as ausências. Mas por outro lado, sempre soubemos preservar a nossa privacidade e sempre procurei resguardar a família.

— Tem falhado alguns jogos do Benfica, especialmente fora. Como é que vai de saúde?
— Felizmente estou bem de saúde. E as poucas vezes em que não pude acompanhar a equipa, teve a ver maioritariamente com opções relacionadas com compromissos de
gestão relacionados com o Benfica.

— O que está ainda por fazer no Benfica?
— Uma instituição como o Sport Lisboa e Benfica, com o seu passado, com a sua relevância social e global e com a vitória no seu ADN, tem sempre muito por fazer. Por exemplo, fazer história com a conquista do tetra no futebol, continuar a internacionalizar a marca Benfica como referência desportiva global, aprofundar as potencialidades da formação nas várias modalidades e escalões, onde se inclui o alargamento do Caixa Futebol Campus, reforçar a nossa sustentabilidade financeira continuando o crescimento das receitas e diminuindo
gradualmente o nosso défice, lançar uma nova geração de infraestruturas.

— Vão meter mãos já em 2017 a esses projetos?
— Na sua grande maioria, sim.

— Trata-se de uma nova geração de apostas estruturais. O que pretende com isso?
— O grande legado que quero deixar é que quero que o Benfica ganhe tamanha dimensão que seja impossível voltar para trás. Quem que no futuro, independentemente dos meus sucessores, pela estrutura criada, o Benfica continue a ser permanentemente gerido de uma forma empresarial e sempre por profissionais.

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