Rui Gomes da Silva: “O tetra é nosso! Contra tudo e contra todos!”

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O tetra é nosso! Contra tudo e contra todos! Os do costume, os vencidos de sempre e,… os que já não se lembravam que, desde os tempos em que os Vascos eram Santanas (para contrariar Salazar e para usar a expressão de Beatriz Costa, e ombrear com os intelectuais de pacotilha que citam sem saber e julgam saber porque não citam), também costumavam perder como o voltaram, agora, a fazer.
Deixemos os perdedores para depois e falemos de quem, por mim, hoje, merece ser falado! De quem, sendo o 1.º de todos nós, venceu à Benfica!

O perigo de compararmos desempenhos em tempos diferentes.

Há, em todas as análises e avaliações, distorções próprias da vivência dos factos que vamos relevando para a hierarquização de listas sobre cada uma das realidades que valoramos. Por isso são, tantas vezes, ingratas e injustas as eleições das melhores equipas, do melhor jogador, do melhor treinador, do século ou da década, ou de qualquer outro período temporal alargado, porque não podemos avaliar (nem comparar), em termos relativos e objetivos, a realidade em que cada uma dessas figuras existiu. Ao tentar apagar as diferenças de realidade que enfrentaram cada uma dessas personalidades ou desses grupos, estamos a transportar para um tempo ideal, jogadores, treinadores e dirigentes que conviveram com situações, regras, ambientes, equipas, colegas ou adversários tão diferentes que não podem, em absoluto, ser comparados. Mas – relembrando o que importa relembrar, sem que, com isso, afastemos as injustiças que sempre serão cometidas – e conquistando o, sempre desejado, mas nunca alcançado, tetra, não deixamos de cair na tentação de, ainda assim, classificar e hierarquizar o desempenho do cargo de Presidente do Sport Lisboa e Benfica, pelos 113 anos da nossa Históra. Até porque, acabado este campeonato (no que aqui nos interessa, que é a questão do título, tão bem entregue ao Benfica), passamos a considerar como razoavelmente acessível o tetra,… embora – não nos esqueçamos – nunca o tivéssemos conseguido, mesmo nos tempos de… Eusébio, Coluna e companhia!

Tetra: não vulgarizemos um feito notável.

Por isso, não banalizemos um feito extraordinário: Em Portugal como em qualquer parte do mundo do desporto de alta competição. Que nem sequer pode ser obra de um treinador, mas antes de dois (Jesus e Vitória), nem obra de uma equipa sem alterações (Vieira encarregou-se de nunca deixar de vencer, sendo fiel ao seu ADN), nem de uma Direção… mas, antes e só de um Presidente acompanhado de um conjunto de funcionários escolhidos pela sua competência (mas sem qualquer legitimidade democrática, facto que o Presidente deixou bem claro em cada intervenção sua). Isso não invalida, antes reforça o respeito que tenho por todos os que trabalharam (e muito) para que isso acontecesse, como não invalida o respeito por quem, ao longo da História, com essa mesma legitimidade democrática, com essa mesma legitimidade democrática, desempenhou as funções de Presidente do Sport Lisboa e Benfica. Muito especialmente por aqueles que conheci, conheço e respeito (muito, menos)! Desde Fernando Martins (que me honrou com um convite para concorrer a seu Vice-Presidente), até Manuel Vilarinho (nunca lhe pagaremos o que fez pelo clube), passando por Manuel Damásio (o Presidente do título de campeão com… os 6-3 em Alvalade). Talvez José Rosa Rodrigues (o 1.º Presidente), ou Félix Bermudes (o Presidente do hino oficial), “Avante pelo Benfica” e símbolo do clube, ao lado de Cosme Damião), ou Joaquim Ferreira Bogalho (o Presidente do Estádio), ou Maurício Vieira de Brito (o Presidente do inicio do terceiro anel, da primeira Taça dos Campeões e de quase toda a seguinte) ou, Duarte Borges Coutinho (o Presidente dos tri e de tudo o que gostamos com que o Benfica possa ser identificado), ou, ainda, Fernando Martins (o Presidente da conclusão do terceiro anel) me levem a mal, mas, como Cosme Damião nunca foi – porque nunca quis ser – Presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira passará, para mim, a ser, de entre todos os que desempenharam essas funções, o melhor Presidente do Benfica da nossa já longa História.

O melhor de todos.

De entre todos, o facto de ter conquistado o tetra faz dele o melhor. Eu sei que ele poderia, até, considerar-se, pela obra feita, como tal, há muito tempo. Mas sempre lhe disse – Relembrando-lhe os critérios que a História usa, neste casos, pata hierarquizar o que, possivelmente, não tem escala possível, tão díspares são as realidade que cada um enfrentou – que a valoração se faz, no fim, num clube como o Benfica, não por obras, mas por títulos. E Luís Filipe Vieira conquistou o que nenhum, antes, tinha conseguido. E esses com condições bem mais fáceis – talvez seja bom reconhecê-lo – do que aquelas que Luís Filipe Vieira teve de enfrentar, nos últimos quatro anos. Como diria Ortega y Gassete,… nós somos nós e as nossas circunstâncias! Nunca como aqui o perspetivismo deste filósofo teve tanta aplicação. Haverá quem não pense como eu? Por certo!
Num clube com a dimensão e a diversidade como o Benfica haverá sempre opiniões divergentes. Mas é a minha opinião. E, embora sem esquecer que, mesmo assim, há muita coisa que faria diferente ou de que discordo da forma como ele as faz, isso não me impede de reconhecer os factos.

“E pluribus Unum” (de todos… um)… Luís Filipe Vieira.

E digo-o – sosseguem-se os invejosos ou os que avaliam as ações dos outros pela sua bitola ou pelos seus critérios de adulação e de bajulação interesseira – com a certeza de que não quero e não voltarei mais a ser Vice-Presidente do Benfica (como já não quis em 2016), estando, por isso, livre de afirmar o que afirmo porque…não quero regressar a um lugar onde fui feliz.
Repito: com a conquista do tetra, Luís Filipe Vieira passou a ser o melhor Presidente do Benfica.
É esse o lugar de Luís Filipe Vieira na História do Benfica. Com a ambição de poder – daqui a dois ou trés anos – dar-lhe um abraço na final da Liga dos Campeões que eu espero que o Benfica possa ganhar… depois do penta, pois então!
E embora nunca possamos confundir algum de nós, por mais importante que seja, com o Benfica, poderemos, sobre Luís Filipe Vieira, dizer…
De todos,… um!
E PLURIBUS UNUM.


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