15 anos depois

Todos nos recordamos daquele extraordinário dia, no Bessa, faz hoje quinze anos, em que voltámos, onze anos depois, a celebrar a conquista de um Campeonato Nacional. A festa começou no estádio, o mar de adeptos eufóricos estendeu-se pelas ruas portuenses a acompanhar a equipa até ao aeroporto e, já de madrugada, no Estádio da Luz repleto de benfiquistas, celebrámos o nosso 31.º título nacional.

Terminou, nesse dia, o maior jejum da nossa história. Foram dez temporadas afastados do título, suplantando o maior ciclo negativo anterior, de “apenas” quatro.

É sobejamente conhecida a situação periclitante e sem precedentes em que o Clube se deixou cair no final do século passado e, em 2005, estavam ainda a ser dados os primeiros passos para se reerguer.

A obrigatória recuperação da credibilidade, o enorme esforço para saldar dívidas, a imprescindível modernização das práticas de gestão, bem como das infraestruturas, enquanto se procurava suprir a evidente falta de qualidade do plantel de futebol, eram as prioridades, sabendo-se que seria um caminho longo e muito difícil para se conseguir recolocar o Benfica no lugar que, historicamente, lhe pertence. Ser não só o maior, mas também o melhor clube português.

Conforme Luís Filipe Vieira, Presidente do Sport Lisboa e Benfica eleito em 31 de outubro de 2003, disse hoje: “Foi um título que não correspondia ao momento que o Clube vivia, em que estávamos a começar a sair de uma enorme crise e que chegou cedo de mais, tal como o futuro nos deu razão, proporcionando uma perceção errada de quem só estava a dar os primeiros passos com vista à recuperação e credibilização do Benfica ganhador como hoje o conhecemos. Mas nunca esquecerei, e está guardada para sempre na minha memória, a grande alegria proporcionada a todos os benfiquistas, o percurso fantástico e vibrante a partir do Bessa, numa comemoração inesquecível de quem pôs fim ao maior período da nossa história sem festejar um título de campeão.”

Com os primeiros passos dados, coroados com um título de certa forma inesperado e cimentados, no ano seguinte, com a inauguração do Benfica Campus, no Seixal, o Benfica começou a estar mais próximo dos títulos, voltando, nos últimos anos, ao tão desejado topo do futebol português, com cinco campeonatos conquistados nas últimas seis temporadas.

Ao longo destes anos, o Benfica soube reinventar-se, mantendo o investimento em áreas críticas e inovando constantemente de forma a manter-se na vanguarda, a nível mundial, da gestão desportiva e empresarial. Os títulos desportivos, acompanhados da melhoria substancial da situação económica e financeira, assim como os recorrentes elogios, sob as mais variadas formas e proveniência, às práticas de gestão do Clube, constituem-se como a garantia de que o Benfica está no bom caminho para se preservar, por muitos e bons anos, na liderança do futebol português.

Ainda hoje temos uma boa amostra do bom trabalho que tem vindo a ser feito, por exemplo, desde que se tomou a decisão da aposta na formação. Olhando para as primeiras páginas dos diários desportivos espanhóis, somos levados a pensar que hoje se comemora o dia nacional do Seixal em Espanha, pois o destaque é dado a Bernardo Silva e Nélson Semedo.

E ontem, na BTV, assistimos a uma excelente entrevista ao nosso antigo jogador David Luiz, em que sobressaiu o benfiquismo e ficámos a conhecer um pouco mais da fórmula do nosso sucesso a partir do Seixal.

Inspirados pelas palavras de David Luiz e parafraseando um anúncio publicitário do nosso parceiro adidas por altura do nosso centenário, traduz-se em 20% infraestruturas e métodos, 20% talento, 20% identidade, 20% rigor e exigência, 20% família… 100% Benfica!