
O arranque dos trabalhos do Benfica para a nova época coincidiu com uma crónica na A Bola assinada por Alexandre Pereira, cujo título é “O Benfica anda a fingir que não está aqui”. Leu-se, respirou-se fundo e percebeu-se uma coisa muito simples: o texto não é sobre o Benfica. É sobre a falta de material para encher páginas durante um Mundial que, segundo o próprio autor, não interessa a ninguém.
Começa exactamente por aí, queixando-se de que o Mundial é “caro para quem o quer ver na TV e, para já, sem grande retorno.” Alguém devia informar o Alexandre de que os jogos estão disponíveis em canal aberto e no YouTube através da Live Mode TV. Para um jornalista, ou para quem quer que seja que escreve num jornal desportivo nacional, esta lacuna é difícil de explicar.
Lá pelo meio de — que indicam que andou no ChatGPT a fazer o texto, começa o ataque ao Benfica.
Regresso ao trabalho 😎 pic.twitter.com/euFOXCIo2n
— SL Benfica (@SLBenfica) June 25, 2026
A crítica central da crónica é que o Benfica, no primeiro dia de trabalhos, não colocou ninguém a falar com a imprensa, não abriu as portas à comunicação social e “enviou umas fotos dos jogadores em tronco nu”. Sim, o clube enviou fotografias. Do treino. Do primeiro dia. Gratuitas. E o que mereceu mais destaque foi a ausência de camisola.
O Benfica faz isto há anos. A gestão da comunicação no arranque da pré-época, com controlo dos conteúdos produzidos internamente e partilhados nos canais próprios, não é uma novidade nem uma afronta. É uma estratégia. Se a imprensa não quer as fotos, basta dizer. Ninguém obriga ninguém a publicar.
Depois vem Marco Silva. Segundo o autor, era “expectável âncora de esperança e depósito de desejos e afetos neste recomeço” e não deu uma palavra, um sorriso, um aceno. A frase tem rima interior, quase parece poesia. Mas o que está por trás dela é a expectativa de que o treinador do Benfica deve comportar-se como figura de um desfile. O clube comunicou o arranque dos trabalhos em todos os seus meios. Os adeptos foram informados. O que faltou foi o espetáculo para alimentar colunas vazias.
Há um padrão neste tipo de texto: quando não há matéria, cria-se o problema. O Benfica não falou, logo está a esconder-se. O treinador não posou, logo há mistério. Os jogadores foram fotografados sem camisola, logo… bem, essa parte ficou obscura.
O Benfica tem um percurso, uma estrutura e uma direção. Segue o seu caminho, com ou sem aprovação de quem precisa de clicks para justificar a existência de uma coluna. O Alexandre Pereira tem um problema. O Benfica segue o seu caminho para mais um dia de trabalho com jogadores em tronco nú.




