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A memória curta de quem leva rumores das redes para a televisão

Para acusar o Benfica valem as redes, para falar do FC Porto já não

A memória curta de quem leva rumores das redes para a televisão

Na semana passada, a cartilha azul e branca era a de que a comparação entre cartões amarelos e faltas assinaladas era uma coisa inventada nas redes sociais e que nem deveria ser discutida nos programas desportivos.

Curioso.

Tenho de recordar que foi precisamente um desses cartilheiros que levou para a televisão uma informação sobre o último clássico na Luz sem procurar confirmar primeiro aquilo que estava a dizer. A justificação, no fundo, era simples: andava nas redes sociais, portanto deveria ser verdade.

Vamos então recordar esse momento.

Disse o cartilheiro que os adeptos do FC Porto tiveram de descer do piso 3 para o piso 0 às escuras, incluindo mulheres e crianças, numa narrativa que fazia parecer que o Benfica tinha obrigado os adeptos visitantes a fazer aquele percurso naquelas condições.

Tiago insistiu várias vezes no tema perante o representante benfiquista presente no painel, que respondeu não ter conhecimento dessa situação. Mesmo assim, continuou confiante a empurrar aquela versão para a televisão.

Até que apareceu outra informação.

O representante do Benfica explicou que terá existido uma falha elétrica provocada pela destruição de equipamento naquela zona por adeptos do FC Porto e que essa situação constaria do relatório policial, devendo os respetivos danos ser incluídos na fatura apresentada ao clube visitante.

Foi aí que o discurso mudou.

A confiança deu lugar à indignação.

Sem ter acesso ao relatório, passou imediatamente a colocar em causa aquilo que estaria escrito num documento oficial, preferindo confiar na versão que tinha visto circular nas redes sociais.

É precisamente assim que se fabrica ruído.

Primeiro lança-se uma acusação baseada naquilo que apareceu nas redes. Depois, quando surge informação oficial que contraria essa narrativa, tenta-se descredibilizar a própria fonte.

Agora, o mesmo cartilheiro aparece a dizer que a questão das faltas e dos cartões amarelos é uma “tanga” inventada nas redes sociais e que não deveria sequer ser tema de discussão televisiva.

Tem memória curta.

Porque é precisamente nas redes sociais que muitas vezes vai buscar aquilo que depois leva para os programas.

Quando interessa, “está nas redes”.

Quando os números não dão jeito, “é uma invenção das redes”.

O problema nunca foram as redes sociais.

O problema é aquilo que nelas aparece quando não encaixa na narrativa.

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