André Pipa e os dois critérios para analisar o mesmo mercado
Ontem, o futebol português tinha acabado de perder um “mágico” com a saída de Pote para a Fiorentina. Hoje, André Pipa já estava encantado com um jogador que chegou ao FC Porto, ao ponto de fazer comparações com grandes nomes do futebol, apesar de o reforço nem sequer entrar nas contas europeias.
Talento para aqui, comparações para ali, e Pipa voltou a proporcionar mais um daqueles momentos televisivos que merecem ser guardados.
Mas não ficou por aí.
Chamado a comentar a chegada de Claudio Echeverri ao Benfica, por empréstimo do Manchester City, Pipa encontrou imediatamente um problema: o Benfica poderia potenciar o jovem argentino durante uma temporada e, no final, ficar sem ele.
Esqueceu-se apenas de um pequeno detalhe.
Ao contrário daquilo que tentou fazer parecer, Echeverri chega à Luz com uma opção de compra. Portanto, se Marco Silva conseguir potenciar o jogador e o Benfica considerar que vale o investimento, existe um mecanismo contratual que permite aos encarnados ficar com ele.
Curiosamente, não houve grandes elogios ao talento de Echeverri. Não apareceram comparações com estrelas mundiais, nem grandes dissertações sobre aquilo que o argentino pode oferecer ao futebol português.
A preocupação foi imediatamente descobrir aquilo que poderia correr mal ao Benfica.
Mas o melhor ainda estava para chegar.
Pipa afirmou que o FC Porto praticamente manteve o plantel da temporada passada e que apenas tinha vendido um suplente, Rodrigo Mora, enquanto Benfica e Sporting tinham procedido a grandes alterações.
Convém então recordar alguns nomes.
Rodrigo Mora saiu. Deniz Gül e Danny Namaso também deixaram o clube. Thiago Silva terminou a passagem pelo Dragão, Luuk de Jong saiu e Terem Moffi regressou ao Nice depois do empréstimo.
Afinal, talvez não tenha saído apenas “um suplente”.
O FC Porto também voltou a recorrer ao mercado para reconstruir algumas dessas posições e acionou, por exemplo, a opção de compra de Kiwior, que tinha chegado inicialmente por empréstimo.
E isto leva-nos a outra narrativa que apareceu precisamente no dia anterior: o Benfica estaria a trocar jogadores vendidos por jogadores emprestados.
Vamos então aos factos.
O Benfica vendeu Dedic, António Silva e Sidny. Dedic saiu por 35,9 milhões de euros, António Silva por 25 milhões, mais objetivos, e Sidny também foi transferido definitivamente.
Richard Ríos e Ivanovic foram emprestados, mas nenhum dos dois negócios inclui uma opção de compra anunciada pelo Benfica. São jogadores que continuam ligados contratualmente ao clube e que, à partida, regressam no final da temporada.
Obrador é um caso diferente, foi emprestado ao Sassuolo com opção de compra.
Echeverri também chega por empréstimo, mas com opção de compra a favor do Benfica. Portanto, se for valorizado, o clube não está simplesmente a trabalhar para o Manchester City. Tem a possibilidade contratual de ficar com o jogador.
Além disso, grande parte dos jogadores contratados pelo Benfica na temporada passada continua no plantel.
Podem fazer todas as análises que quiserem. Podem elogiar uns, descobrir problemas nos outros e transformar empréstimos semelhantes em excelentes negócios ou enormes riscos consoante a camisola.
Mas depois aparecem os factos.
E, quando colocamos as entradas, as saídas e as cláusulas lado a lado, torna-se muito mais difícil sustentar algumas das histórias que diariamente são vendidas sobre o Benfica.
Na minha opinião, já não estamos apenas perante diferentes formas de analisar futebol.
Estamos perante diferentes critérios para analisar situações semelhantes.
E é isso que os benfiquistas devem começar a perceber quando ligam a televisão.
