APAF manda recados aos clubes, mas esquece Luciano Gonçalves
A arbitragem está sob investigação e a APAF prefere avisar os clubes
O tempo que o presidente da APAF, José Borges, perde a enviar recados aos clubes, neste caso ao Benfica e ao FC Porto por causa do clássico de domingo, deveria ser utilizado para exigir explicações sobre aquilo que se passa na arbitragem portuguesa.
Mais do que estar preocupado com aquilo que Benfica ou FC Porto poderão dizer depois do clássico, deveria estar preocupado com Luciano Gonçalves e com tudo aquilo que tem vindo a ser conhecido sobre o setor que representa.
Na minha opinião, deveria exigir a sua demissão.
Deveria exigir explicações.
E deveria também ouvir os próprios árbitros, nomeadamente os da AF Porto que abandonaram a APAF na sequência do caso Gustavo Correia, depois de este ter sido sancionado pelo Conselho de Disciplina.
José Borges preferiu deixar este recado aos dirigentes de Benfica e FC Porto:
“No final, no jogo das palavras, será relevante perceber se, de uma vez por todas, os dirigentes mostram coragem para analisar as incidências do encontro de uma forma coerente ou se optam, como é muitas vezes prática, por direcionar todas as frustrações e desculpas de um possível insucesso para a equipa de arbitragem.”
É uma declaração curiosa no momento atual.
A arbitragem portuguesa está sob enorme escrutínio, existem investigações em curso, antigos responsáveis da estrutura falam em situações de “grande gravidade institucional” e continuam a surgir notícias sobre alegadas pressões e interferências nas nomeações.
Perante tudo isto, a grande preocupação do presidente da APAF parece ser antecipar aquilo que Benfica e FC Porto poderão dizer no final do clássico.
Talvez fosse mais útil garantir primeiro que a equipa de arbitragem tem todas as condições para fazer um bom trabalho.
Porque uma arbitragem que não esteja à altura de um jogo desta dimensão também pode influenciar diretamente o resultado.
Ninguém quer isso.
Todos desejamos que não existam casos, que os árbitros passem despercebidos e, naturalmente, eu espero que o Benfica ganhe porque foi melhor dentro de campo.
Mas conhecendo o historial recente, percebe-se perfeitamente por que razão qualquer mensagem deste género, antes de um clássico, levanta dúvidas.
A APAF não pode pedir aos clubes silêncio antecipado.
Pode, isso sim, exigir aos árbitros competência e ao Conselho de Arbitragem transparência.
E talvez José Borges devesse começar por fazer perguntas dentro da própria casa antes de deixar avisos a quem vai entrar em campo no domingo.
