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Benfica arrasa governo sobre os jogos olímpicos

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«Nunca é tarde para transformar Vontade política é determinante

Fechou-se mais um ciclo olímpico e aquilo que aparenta e se vende como um êxito histórico não é mais do que a continuidade do desastre desportivo nacional essencialmente conduzido pela falta de uma política desportiva integrada e orientada para o desenvolvimento do alto rendimento.

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O Estado continua divorciado do seu papel de apoio ao fomento desportivo. Não fossem os clubes, o movimento associativo e os carolas dos dirigentes desportivos e não haveriam atletas olímpicos em Portugal. Tudo isto perante a hipocrisia dos nossos governantes que se refugiam numa mensagem de felicitações no Twitter, num telefonema presidencial ou numa fotografia de Estado no Palácio de Belém. Tudo isso não passa de uma encenação teatral que esconde uma deficiente estratégia desportiva. Acresce a lamentável falta de espaço que os media dedicam durante os ciclos olímpicos não permitindo angariar mais apoios publicitários.

Isto não significa que as medalhas portuguesas principalmente as do Pedro e do Fernando não me tivessem enchido de contentamento. Mas o Estado não faz ideia do trabalho que está perante uma preparação olímpica e principalmente da conquista de um diploma ou de uma medalha. Isento o COP de qualquer responsabilidade desta total ausência de agenda desportiva. O COP tudo faz para gerir a preparação dos atletas num contexto de recursos financeiros pobres que tem a sua expressão máxima nas bolsas ridículas atribuídas aos atletas.

Qualquer processo de transformação terá forçosamente que passar por distintas intervenções de fundo:

1. Integrar os diversos sistemas desportivos num único corpo orgânico, isto é, integrar e estimular o desporto escolar, o desporto universitário, o desporto militar, o desporto associativo e o desporto autárquico;

2. Alterar a importância curricular da disciplina de Desporto nas escolas dotando as mesmas de professores especializados em treino desportivo e de alto rendimento;

3. Resolver a questão do pós carreira dos atletas olímpicos permitindo a sua adequada preparação desportiva fazendo aquilo que muitos países europeus iniciaram há muito tempo, a integração dos atletas em serviços do Estado e associando as respetivas progressões de carreira aos resultados desportivos;

4. Profissionalizar e formar os dirigentes desportivos garantindo uma maior capacitação na gestão dos projetos desportivos;

5. Alteração da Lei do Mecenato permitindo o financiamento privado às diversas modalidades como complemento do apoio do Estado;

6. Fazer apostas desportivas claras e especializar algumas regiões do país em determinadas modalidades que encaixem no perfil geográfico, logístico e populacional evitando estratégias dispersas que consomem fundos sem qualquer resultado;

7. Estimular a prática desportiva desde o pré escolar e à população em geral criando um registo de cultura da prática desportiva;

8. Finalmente a vontade política para que tudo aconteça onde o principal responsável do governo chame a si a responsabilidade de fazer acontecer e garantir que a Secretaria de Estado da Juventude e Desporto actue em verdadeira paridade e com o mesmo peso político da Secretaria de Estado da Educação (garante a transformação do desporto escolar) e da Secretaria de Estado da Finanças (garante o financiamento adequado do desporto e da preparação olímpica).

Continuo a acreditar ser possível.»

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