Benfica vem de San Siro, FC Porto prepara o clássico pela arbitragem
Pressionam os árbitros, mas esquecem os 79 faltas e três amarelos
Enquanto os benfiquistas e grande parte da comunicação social ainda celebram mais uma grande noite europeia do Benfica, o universo portista já começou a preparar o clássico através da arbitragem.
Mais uma vez aparecem comentadores e cartilheiros a recuperar decisões da temporada passada para construir a narrativa de que o FC Porto foi prejudicado frente ao Benfica.
Vale tudo.
Pegam nas queixas portistas e apresentam-nas como factos consumados, ignorando por completo os lances em que o Benfica também reclamou decisões naquele jogo e até as análises de antigos árbitros que não acompanharam algumas dessas acusações.
Convém, por isso, recuperar o vídeo que o próprio Benfica publicou na altura, precisamente em resposta às queixas que começaram a surgir depois desse encontro.
Antes do clássico, vale a pena recordar tudo.
E há outro dado curioso sobre o qual não vemos praticamente ninguém do universo portista falar.
Luís Ferreira foi nomeado VAR para o FC Porto-Benfica.
Estamos a falar de alguém que, enquanto advogado, integrou a defesa de um árbitro num dos processos do Apito Dourado.
Isto não significa, por si só, que não possa desempenhar as funções de VAR ou que vá beneficiar alguém.
Mas num momento em que a arbitragem portuguesa está debaixo de enorme escrutínio, com uma investigação criminal em curso sobre alegadas interferências e pressões relacionadas com o setor, é curioso que aqueles que analisam ao pormenor tudo aquilo que possa servir para atacar o Benfica não tenham uma única palavra sobre esta nomeação.
Principalmente quando Luís Ferreira também tem um historial polémico em jogos do Benfica.
Foi ele o árbitro do famoso Benfica-Boavista, em 2017, que terminou 3-3 e ficou marcado por várias decisões contestadas pelos encarnados. O próprio relato da altura identifica, por exemplo, uma falta sobre Rafa não assinalada antes do primeiro golo do Boavista e um terceiro golo irregular por fora de jogo.
Agora estará no VAR de um dos jogos mais importantes da temporada.
Entretanto, os números continuam lá.
O FC Porto chega à sétima jornada com 79 faltas cometidas e apenas três cartões amarelos.
São 26,3 faltas por cada amarelo.
O Benfica tem 76 faltas e nove amarelos.
O Sporting soma 74 faltas e 14 amarelos.
Estes são números.
Não são cartilhas.
Não são imagens feitas por inteligência artificial.
Não são opiniões de comentadores.
São números da competição.
E é precisamente por isso que os benfiquistas devem estar atentos ao clássico.
A pressão sobre a arbitragem já começou vários dias antes de a bola rolar.
Deixo até aqui a minha previsão, e espero sinceramente estar errado.
Não me admirava que o Benfica terminasse o jogo com menos de onze jogadores ou que os homens do meio-campo fossem condicionados muito cedo com cartões amarelos.
Do outro lado estará uma equipa que, até agora, precisou de 79 faltas para receber três amarelos.
No domingo veremos se o critério continua.
Até lá, guardem os vídeos, guardem os números e guardem aquilo que está a ser dito.
Depois do clássico fazemos as contas.
