
Este é o retrato atual da Federação liderada por Pedro Proença.
Amigos, mais amigos e cargos distribuídos a quem convém ter por perto. Gabinetes, estruturas e conforto garantidos para o senhor Proença — e depois que as competições se lixem.
É verdade que a maioria dos clubes votou em Pedro Proença. Mas arrisco dizer que, se fosse hoje, muitos desses votos teriam seguido outro caminho. Lobo teria ganho.
Na arbitragem, o cenário é o que todos conhecem. Semana após semana surge mais um caso, mais um prejuízo para o Benfica e mais um benefício para FC Porto e Sporting. Segue-se o ritual habitual: comunicado da arbitragem, multa simbólica, uma queixa aqui, outra ali e nada muda.
Nas competições geridas pela Federação, a degradação é evidente.
Há clubes com salários em atraso.
Há clubes que nem o aluguer de estádios emprestados conseguem pagar.
Há incumprimentos sucessivos de regulamentos e normas, sem qualquer consequência prática.
Não há mão firme, não há autoridade, não há critério.
E como se tudo isto não bastasse, temos agora clubes a ponderar sair das competições da Federação por decisões absolutamente incompreensíveis.
O caso do Caldas SC é gritante.
Obrigar o Caldas a jogar em Torres Vedras é um atentado ao futebol popular e à identidade dos clubes. O Caldas tem o Campo da Mata, um estádio com condições, histórico e alma, onde já recebeu o Benfica para a Taça de Portugal.
Porque é que tem de ir jogar fora?
Para satisfazer interesses de terceiros?
Para agradar o Salvador?
É assim que se tratam os clubes de menor dimensão?
O Campo da Mata está com melhores condições do que muitos da Primeira e Segunda Liga.
O próprio plantel do Caldas foi obrigado a reagir. Eis um excerto do comunicado divulgado:
«Hoje fomos invadidos por um sentimento de profunda tristeza, revolta e incompreensão. Muitos de nós estamos há vários anos no clube, e os jogos da Taça de Portugal são encarados de forma especial — principalmente se forem vividos no nosso Campo da Mata. Por aqui, já escrevemos das páginas mais bonitas da nossa história e da história do futebol português. O jogo de hoje não é apenas um jogo de futebol. É um momento único, é fazermos festa de manhã à noite — com um sorriso no rosto por representarmos o clube do nosso coração na prova rainha do futebol português.»
Um comunicado que representa o plantel sénior, liderado por André Simões, pelo treinador José Vala e pelo grupo de capitães.
Isto diz tudo.
Esta é a Federação de Pedro Proença.
E ainda agora começou.



