Candidatura à deriva? A máquina de Noronha exposta
Fanatismo, divisão e desespero: o que não pode voltar ao Benfica

São tóxicos, fanáticos, promovem a divisão no clube e ainda se acham os verdadeiros guardiões do Benfiquismo. É assim que começo este texto, a três meses das eleições do Benfica, que já conheceram o primeiro episódio verdadeiramente vergonhoso – mas infelizmente nada surpreendente – por parte da candidatura de João Noronha Lopes.
E quero ser justo: elogiei a sua apresentação, o ambiente à Benfica que conseguiu criar nesse dia. Mas a verdade é que depois disso vieram os bots, os ataques gratuitos, os textos escritos por outros, o “diz que vai fazer” sem dizer como. Encheram as redes sociais com um ódio cego, com o discurso do “ou estás comigo ou és contra mim”.
Além da atual direção, João Diogo Manteigas tem sido outro alvo constante dessa máquina. E isso só mostra desespero. E se já andam nisto a três meses de campanha, deixo um conselho: encham os eventos dessa candidatura e vejam com os vossos próprios olhos no que ela se tornou.
Benfica District: um projeto para o futuro, não para as eleições
Sem querer entrar no registo dos textos preparados à Noronha Lopes, quero expor factos – simples – que me levam a afastar o meu voto desta candidatura.
Rui Costa, presidente eleito com 84,4% dos votos, no exercício legítimo das suas funções, anunciou o projeto Benfica District. Fez questão de dizer, de forma saudável e institucional, que o projeto deve ser usado por qualquer direção futura, mesmo que não seja ele a continuar.
E o que fez logo a candidatura de Noronha Lopes?
Primeiro ataque: acusou o projeto de ser feito “sem os sócios”, que tinha de ir a AG, que era um ato eleitoralista. Acusaram o clube de ter feito tudo à pressa, mas rapidamente tiveram de meter a viola no saco quando se percebeu que o projeto está a ser trabalhado há 18 meses.
Segundo ataque: mesmo sabendo que o Benfica comunicou todos os passos com a CML, decidiram ir ao local apenas para criar ruído político. De manhã mandaram os bots e voluntários com a cartilha nas redes; à tarde apareceram na SIC, a tentar roubar espaço mediático ao projeto, para atacar o clube, a direção e os sócios que a elegeram.
E depois ainda se dizem “a candidatura da elevação”.
Terceiro ataque: criticaram o Benfica por usar os seus meios de comunicação para se defender dos ataques feitos… por um candidato que insultou os sócios.
Se o comunicado tivesse saído pela voz do porta-voz da candidatura de Rui Costa, diziam que o projeto era dele e só avançaria se fosse reeleito. Querem vitimização para os dois lados, mas esquecem-se que o Benfica não pode ficar calado enquanto é atacado num projeto que é de todos os benfiquistas.
Quarto ataque: Colocar o bots/voluntários a citar o que disse um Sporting. Embora fosse uma “gafe” quem diz que o Sporting é o maior clube português, merece que citem sportinguistas a atacar o presidente do Benfica.
Isso! O nivel de desespero é tão grande que citam o lagarto Camelo Vilar que toma as dores do candidato. Bom ele também disse que o "Sporting era o maior clube português", portanto não há grande problema. https://t.co/pBPxXzleEF
— Hugo Gil (@HugoGil07) July 24, 2025
O que está em jogo
O Benfica District deveria ser um projeto agregador. Mas há quem continue preso ao passado. O mesmo que não queria o atual Estádio da Luz, que abandonou o clube em 2001, que prometeu em 2021 que nunca mais se candidataria, e agora aparece em modo salvador, incomodado com quem apresenta obra concreta, em vez de frases feitas. Se o projeto não está aprovado e nem saiu do papel, porque é que o candidato se prestou a este serviço vergonhoso e lamentável? Deveria estar tranquilo mas apareceu em ato de desespero porque não consegue sair do voluntariado que gravita nas redes e que promete caçar Benfiquistas no dia seguinte.

A realidade é simples: o Benfica precisa de futuro, não de ressentimentos. E tal como disse no início, os sócios que encham os eventos dessa candidatura, que vejam bem o que ali está: não é elevação, não é projeto, não é visão. É frustração transformada em campanha. É uma candidatura de plástico que acha ter os 30% que abandonou em 2021.
