
Estamos numa competição em que o provocador apanha menos castigo do que o provocado. E, no meio disto tudo, o clássico ainda rendeu bom dinheiro em multas à Liga. O problema é que, na maioria dos casos ligados a agentes desportivos, os castigos são sustentados em descrições que, na minha leitura, não batem certo com as imagens. O árbitro escreveu o que não viu e agiu consoante aquilo que lhe foi dito.
Mourinho apanha dois jogos de suspensão por mandar uma bola para a bancada dos seus adeptos, como faz muitas vezes, e por responder a uma provocação do adjunto de Farioli. Já Lucho González, por ir provocar Mourinho, nem foi expulso e apanha apenas oito dias de suspensão. Isto, para mim, é o retrato de um sistema que inverte a lógica, quem provoca sai mais leve, quem reage leva mais pesado.
Depois não querem que se diga que há proteção. Falta pouco para se normalizar tudo, e depois inventa-se uma desculpa qualquer e segue. Já vimos coações a árbitros, já vimos benefícios dentro do campo, já vimos não expulsões e castigos que não acompanham a gravidade, enquanto noutros clubes a mão pesa logo.
E quando Mourinho diz que não quer jogar dois campeonatos num só, eu leio isso como um retrato desta realidade, o campeonato real e o campeonato das versões, dos relatórios, e do que se decide fora do relvado.



