Estranho combate, este, em que ao homem comum não é exigido mais do que cumprir uma completa inação e observar o mais absoluto recato. Como se, afinal, fosse possível que indivíduos, famílias, comunidades ou países pudessem escapar, por milagre, à ameaça da inexorável pandemia…

Da inconsciência inicial acerca da natureza e do poder maléfico do vírus que por toda a parte foi apanhando os países desprevenidos e impreparados, passar-se-ia a uma conjunção de incredulidade geral: a inaudita virulência progredia a uma velocidade tal que, fosse onde fosse e fossem quais eles fossem, os recursos disponíveis cedo deixavam de parecer suficientes para conter ou retardar o pesadelo.

Agora, mais de um terço da humanidade se encontra em confinamento mais ou menos assumido; e, apesar disso, a peste continua a disseminar-se insidiosamente, afinal devastando de modo implacável todas as condições de vida, em todas as geografias.

Inseguros, frágeis e indefesos, alguns – os que continuavam entretidos com as pequenas incidências e competições do quotidiano – só demasiado tarde se dariam conta das fatais vulnerabilidades dos sistemas de defesa individuais e coletivos.

Em todo o caso, em órgãos de Estado, como em entidades públicas em que o espírito comum já era forte, houve quem, aqui e ali, tendo sabido ler os sinais que chegavam do extremo oriente, pôde tomar a tempo algumas providências que um realismo prospetivo deles decorrente logo aconselhavam.

Os sólidos canais de relação que a pulsão universalista do Sport Lisboa e Benfica estabelecera com a grande nação chinesa durante a última década, terão certamente sido contributivos para que a Direção de Luís Filipe Vieira tivesse percecionado a gravidade do cenário desde os primeiros dias de março, antes de qualquer outro clube em Portugal, de modo a assumir um primeiro prudente conjunto de informações e medidas. Poucos dias depois, o Benfica anunciava uma segunda leva de resoluções mais abrangentes e firmes, cujo impacto se revelaria determinante além das fronteiras da Família Benfiquista, e terá ficado como um novo exemplo da vanguarda cívica que o Benfica sempre representou na sociedade portuguesa.

Fosse pela capacidade de mobilização dos recursos adequados, fosse pela determinação adotada em todas as instâncias do Clube e do Grupo empresarial – e em especial na Fundação, como nas Casas do Benfica – ou, até mesmo, ao nível das próprias estruturas competitivas que naturalmente se mantêm em situação de confinamento, o conjunto de medidas adotadas desencadeou e fortalece o mesmo solidário sentimento geral da responsabilidade social que os Benfiquistas sempre avocam nos momentos mais difíceis da nossa História contemporânea.

Carlos Moia, o responsável da Fundação Benfica, sintetizou de forma lapidar o contexto em que vivemos no Clube: “O Benfica reagiu com força, músculo financeiro e dimensão. É admirável a grandeza deste Benfica que, perante a enormidade deste embate universal, mobiliza todas as suas energias e atua a uma só voz, direto, incisivo, grande!”

E, se nestes momentos, nos sentimos talvez verdadeiramente “todos juntos” como nunca, porque, por enquanto, ainda é mais urgente estarmos todos no “mesmo clube”, já ninguém tem dúvidas de que, no dia de amanhã, sairemos deste pesadelo ainda mais fortalecidos, mais solidários e mais úteis. Ao Benfica. E a Portugal.

José Nuno Martins