E um sistema de pontos para mandar os árbitros às favas?
A Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol (APAF) entregou à Liga Portugal uma proposta de alterações regulamentares para a próxima época desportiva que prevê perda de pontos por parte das equipas em caso de reincidência em declarações sobre arbitragem antes dos jogos, além de multas que podem chegar aos 100 mil euros.
Curiosamente, esta proposta não é nova. Em 2017, foi o Benfica quem apresentou uma ideia semelhante mas com um propósito totalmente diferente.
“De acordo com os encarnados, qualquer equipa que teça palavras menos próprias à equipa de arbitragem, delegados ou observadores deve ser punida com perda de pontos na competição em que está inserido o encontro. Caso não haja um sistema de pontos em vigor – como nos jogos a eliminar da Taça de Portugal ou fase final da Taça da Liga – a punição passaria pela atribuição de uma derrota.”
Estamos em 2025, e agora aparece a APAF como mentora da perda de pontos, mas não como o Benfica propôs. A versão atual serve apenas para restringir a liberdade de expressão de jogadores e treinadores, como se viu recentemente no caso de António Silva, alvo de uma queixa apenas por ter dito o que todos viram.
O que criticaram em 2017, agora defendem em 2025. Mas, na prática, a perda de pontos já existe: os árbitros erram, e com esses erros retiram pontos às equipas, que no final ainda são punidas por protestarem.
Deixo uma sugestão de contraproposta simples para os clubes apresentarem à Federação Portuguesa de Futebol: Criar um sistema de pontos para árbitros e VARs.
Cada árbitro começaria a época com 10 pontos, além da avaliação habitual. Cada erro grave valeria menos um ponto. Quem terminasse a época sem pontos, poderia escrever uma carta de despedida e seguir outros caminhos: comentar arbitragem na televisão, apitar noutro país ou ser assessor do presidente da Federação.
Porque quem erra como se errou neste fim de semana, não pode continuar a apitar.
E se querem mexer com os pontos dos clubes – como já fazem – então que se comece a mexer também com a responsabilidade de quem decide dentro do campo.
Afinal, há árbitros com salários superiores à média da Liga, tirando os cinco clubes com mais capacidade financeira.
E mesmo assim, querem continuar sem prestar contas.


