Então agora já não queres ser do Sporting?

O Sportinguismo trouxe um grave problema a um determinado estilo de Benfiquismo que invade as redes sociais sempre que a coisa não corre bem. E não, não estou a falar daquele benfiquista frustrado depois de um jogo, que protesta, desabafa e no dia seguinte volta a apoiar. Estou a falar do outro. Aquele que parece desejar que tudo corra mal para depois aparecer a dizer que avisou.
Escondem-se em garagens, fazem reuniões secretas, organizam trincheiras digitais e atacam tudo o que vai contra o seu Benfiquismo. Dizem-se puros, acham-se garotões, como aqueles miúdos que levam a bola para a escola e acabam com o jogo porque a bola é deles. No fundo, são fazedores do típico totoloto à segunda-feira. Tipos invejosos, daqueles que vivem convencidos de que o vizinho do lado é sempre melhor.
Isto não é de hoje, mas tem crescido nos últimos tempos como estabelecimentos de fast food a cada esquina. Já idolatraram Villas-Boas e o “ar puro” que supostamente iria trazer ao futebol português. Para esses, o Benfica é que estava sempre mal. Depois, vieram as imagens em loop no balneário do árbitro, os relatos de balneários com cheiros impróprios e certas estratégias que cheiram demasiado aos tempos do Apito Dourado. Rapidamente tiveram de mudar a música para outras bandas.
E a música passou a ser o Sporting de Frederico Varandas.
O presidente que “acertou” num treinador passou a ser elogiado por esse tal Benfiquismo. O projecto dos jogadores mantidos. O projecto ganhador. A comunicação dos “drop mics”, dos terramotos e das frases prontas para viralizar. Tudo era melhor do que a actual gestão do Benfica. Até os quartos lugares eram vendidos como parte de uma visão superior. Na realidade, o Sporting terminou em quarto lugar em 2019/20 e em 2022/23, mas para certos benfiquistas isso parecia não contar.
Na Champions, vencem como ninguém, dizem eles. Mas, quando se olha para os resultados concretos, não se encontra assim tanta diferença para aquilo que tanto criticam no Benfica de Rui Costa. A diferença está, muitas vezes, na embalagem. Uns vendem melhor. Outros são julgados antes de entrar em campo.
Hoje, o Sporting do possível tri passou para terceiro e já não depende apenas de si no campeonato. Depois do empate em casa com o Tondela, num jogo em que deixou escapar uma vantagem de 2-0 nos descontos, a narrativa ficou menos brilhante.
Hoje, o Sporting pode acabar com uma Taça, que, a par da última, só pode conquistar porque João Pinheiro esteve 14 minutos à procura de um dedo na cara de Hjulmand nos Açores. Caso contrário, ganhava bola. Mas isso, claro, já não entra nas análises puras e sérias dos especialistas do totoloto à segunda-feira.
Depois do empate de ontem, esse tal Benfiquismo largou de repente o sonho de ter um Benfica igual ao Sporting e apareceu nas picardias. O clube que elogiavam passou a ser alvo, porque agora dá visualizações, gostos e uma certa notoriedade. Há gente que nem consegue convencer os próprios filhos a serem do Benfica, mas aparece sem vergonha nenhuma a dar lições de Benfiquismo nas redes sociais.
A pergunta que fica é simples: então hoje já não querem ser como o Sporting?
Depois de ontem, com a espinha dorsal da equipa, os reforços cirúrgicos, a comunicação de impacto, os “drop mics”, os terramotos e a super equipa, já não querem ser Sporting? Já não querem copiar o modelo? Já não querem o projecto perfeito? Ou afinal o projecto só era perfeito enquanto servia para atacar o Benfica?
O Benfica tem três jogos pela frente. O segundo lugar não é lugar para o Benfica e conquistar apenas a Supertaça é muito pouco. Isso deve ser dito sem medo. Mas uma coisa é exigir mais do Benfica. Outra é viver permanentemente à espera do falhanço para alimentar guerrilhas internas, vaidades pessoais e pequenos clubes de opinião.
Está na altura de largarem a brisa, tal como o vizinho do lado, e serem do Benfica.
Porque totoloto à segunda-feira, qualquer um faz.




Ai que desmascarar este tipo de gente que no sirve es so escumalha, lixo ignorantes….