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Entrevista de Luís Filipe Vieira completa

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O presidente do Benfica fala em exclusivo ao Jornal A BOLA nas vésperas do arranque da nova temporada, marcada para quinta-feira, no Seixal. Fala da atualidade do Benfica, de Jorge Jesus, de Rui Vitória, de Mitrovic, de Campbell e muito, muito mais. Insiste que a conquista do tricampeonato é o principal objetivo da época.

B- Muitos nomes têm surgido na imprensa de entradas e saídas e o fim da janela de transferências ainda está longe. Vai haver assim tantas mudanças no plantei?

LFV — Às vezes o desfilar de todos esses nomes que referiu tem mais a ver com a especulação que se faz na imprensa do que propriamente com aquilo que realmente se está a passar. E não estou a dizer que a imprensa é a culpada, eventualmente podiam ser mais rigorosos em alguns casos, mas admito que não seja fácil. O futebol passou a ser uma indústria gigantesca, que mexe com muitos variáveis, com muita gente interessada em que se fale dos jogadores que representam. Estamos a trabalhar com base no plano traçado há meses.

B — Mas o Benfica não está blindado a saídas?

LFV — Evidentemente que não, nenhum clube está, sejamos honestos. Há sempre alguma margem de imprevisibilidade, por ofertas que podem chegar por jogadores nossos e que à partida não estávamos à espera ou por oportunidades de mercado que também nos podem surgir. Mas há um plano definido e que vamos cumprir na sua grande maioria.

B – É normal que o plantel do Benfica vá registar várias baixas. A equipa vai manter a capacidade competitiva dos últimos anos?

LFV — É nisso que estamos a trabalhar. Não vamos perder mais jogadores do que aqueles que perdemos o ano passado, mas como já disse não somos imunes a ofertas que possam surgir. Faltam dois meses para o fecho do mercado e isso é muito tempo, mas quero deixar a garantia aos benfiquistas, tal como fiz a Rui Vitória, no dia da sua apresentação, que vamos contar com uma equipa competitiva e capaz de lutar pelo tri.

B — O que o levou a contratar Rui Vitória?

LFV — Acho que o seu percurso é a melhor resposta a esta questão. É um treinador ambicioso que subiu a pulso na carreira e já provou estar apto a assumir este desafio. Há muita gente que prefere falar do facto de o Rui Vitória ser benfiquista. É evidente que isso é um factor diferenciador que tive a oportunidade de referir na sua apresentação, mas não foi por isso que foi contratado. Chega ao Benfica por ser competente e por ser capaz de nos levar a atingir os nossos objectivos.

B – Foi fácil o acordo com Rui Vitória?

LFV – Foi. Por um lado ele estava pronto a dar este passo, por outro houve uma correcção total no processo que trouxe Rui Vitória até ao Benfica, e tenho aqui de elogiar a postura do Vitória de Guimarães.

B- Pediu-lhe o tricampeonato, proeza que o Benfica não consegue desde 1974-77?

LFV – Foi público, mas nem era preciso pedir. Ele sabe que esse será o nosso principal objectivo. O Rui Vitória é um treinador que tem os pés bem assentes no chão, mas por detrás daquele perfil mais racional que ele mostra é tão ambicioso como eu e sabe ao clube que chegou.

B- Fez um esforço para manter, a apoiar Rui Vitória, a estrutura que trabalhava em apoio a Jorge Jesus. O Benfica é, nesse aspecto, uns clube sólido?

LFV – Vou dividir a resposta em duas partes. Em primeiro lugar não fiz qualquer esforço, as pessoas que trabalham há anos no Benfica que ajudaram o clube a chegar até aqui, nunca equacionaram sair. Só quem não os conhece é que poderia pensar nessa hipótese. O único esforço adicional que foi feito foi para manter um elemento que chegou à Luz como anterior treinador e a quem nós reconhecemos capacidades e qualidades para ficar e que, mal se conheceram as notícias da mudança de treinador, nos transmitiu que queria ficar connosco. Em segundo lugar, é claro que o Benfica é um clube sólido. Foram anos a consolidar o projecto e por isso fizemos o triplete o ano passado. por isso ganhámos o bicampeonato este ano.

B – No Benfica, Jorge Jesus já é passado. Surpreendeu-o que tenha ido para o Sporting?

LFV – Vou repetir o que disse há duas semanas. Tenho de agradecer a Jorge Jesus, ao Raul José, ao Mário Monteiro e ao Quaresma tudo o que fizeram pelo Benfica durante seis anos. O Benfica cresceu com eles e eles cresceram como Benfica, pelo que tenho a certeza que todos eles serão gratos em relação ao tempo que aqui estiveram. Jesus teve no Benfica o que nunca antes algum treinador teve. Foi surpreendido com a organização que encontrou e estou certo de que também por isso as suas capacidades enquanto treinador melhoraram.

B – Depois de seis anos de trabalho em conjunto, ficou magoado com Jorge Jesus?

LFV – É um assunto que tratarei com ele quando esse momento chegar. Para mim é um capítulo fechado. Não direi mais nada sobre esse tema.

B – Passou-lhe pela cabeça contratar Marco Silva?

LFV – O Rui Vitória foi, desde o momento em que ficou claro que o nosso anterior treinador tinha assumido um compromisso com outro clube, a primeira opção, que não haja dúvidas em relação a isso. Acho que o Marco Silva merece respeito, é um treinador jovem a quem reconheço qualidades, que está a passar por uma fase complicada da sua vida, mas estou certo de que terá um futuro brilhante pela frente.

B – O orçamento do Benfica para a época 2015/16 vai ser mais baixo que o da época anterior? Em quanto?

LFV – Estamos a fazer um exercício que combina o sucesso desportivo com a redução do passivo. Foi conseguido o ano passado e a ideia é continuar a trabalhar nesta formula, mas para isso temos de continuar a apertar o cinto e a reduzir a massa salarial. Não quero ainda avançar com um número, mas, sim, o orçamento para o futebol na nova temporada vai ser menor do que a época anterior.

B – É impossível gerir o Benfica sem as mais-valias das transferências de jogadores?

LFV – É uma parte fundamental da qual não podemos abdicar e onde temos tido excelentes resultados. Comprar, valorizar e vender. O ano passado ultrapassamos a fasquia dos 200 milhões de facturação muito alavancados pelas vendas em jogadores.

B – O Benfica continua a fazer dinheiro com jogadores que não chegaram a ter hipótese no clube. Depois de André Gomes, João Cancelo, Bernardo Silva (valeram 45 milhões e não passavam de projectos de jogadores), devem seguir-se Hélder Costa e Ivan Cavaleiro. É a melhor forma de garantir, com mais-valias, a sustentabilidade do Seixal?

LFV – Vou, uma vez mais, dividir a resposta em duas partes. O Seixal existe para obter rendimento desportivo e financeiro dos nossos jogadores. O trabalho que foi desenvolvido permite-nos garantir que durante os próximos anos vão aparecer em cada temporada muitos jovens talentos. Teria preferido que esses jovens que referiu tivessem ficado connosco mais tempo, mas isso só faria sentido se eles tivessem sido aproveitados, ou tivessem pelo menos uma perspectiva de poderem dar o seu contributo desportivo à primeira equipa. É público que isso não aconteceu e não vou discutir aqui as razões. Todos eles pediram para sair face à falta de oportunidades. Um deles nunca esqueceu que o tentaram pôr a jogar a lateral-esquerdo. Posto isto, tínhamos de os valorizar do ponto de vista financeiro. Foi o que aconteceu. E se vir por esse mundo fora quantos miúdos da sua idade é que foram vendidos por 15 milhões? Acho que nenhum.

B – Portanto a venda foi uma opção face à falta de oportunidades?

LFV – Foi uma opção face as circunstâncias e em função da falta de oportunidades que tiveram. Sinceramente, espero que todos tenham sucesso. Já somos vistos na Europa como uma das melhores escolas de formação. O sucesso destes jovens eleva o Caixa Futebol Campus a um nível em que poucas academias europeias estão. E já agora também é justo referi-lo que quando se vendem jovens daquela idade por aquele valor estamos a transferir o benefício, mas também o risco para o comprador. O meu desejo é que todos sejam grandes jogadores no futuro porque isso apenas nos vai valorizar enquanto clube formador. Última nota: estou convencido de que a partir de agora, como perfil do Rui Vitória, temos mais condições para que os jovens que Seixal produz possam ser aproveitados, primeiro do ponto de vista desportivo na nossa equipa profissional e, só depois, do ponto de vista económico.

Vieira pede para os benfiquistas acreditarem na capacidade de Rui Vitória
B- Este aproveitamento financeiro do Seixal que espera, no futuro, transformar, primeiro, em aproveitamento desportivo, tem a ver com as funcionalidades do Caixa Futebol Campus? E um projecto acabado?

LFV — Nunca qualquer projecto esta acabado, mas é evidente que o Seixal tem hoje condições que não tinha há cinco anos ou até há três. Há, ainda, alguns ajustes a fazer, nomeadamente a nível dos Balneários e do ginásio do futebol profissional, mas diria que no capitulo desportivo o projecto está praticamente fechado. Falta, num patamar diferente, mas igualmente importante, fazer algo que para mim é essencial, a Casa do Jogador. Cuidar daqueles que nos ajudaram a chegar aqui é essencial. Não podemos apenas preocupar-nos com a nossa memória material, as taças, os documentos. Temos de cuidar daqueles que no campo escreveram a rumaria do Benfica. Neste ponto, queria enviar um abraço ao Artur Correia que está atravessar uma fase delicada da sua vida, mas que, tenho a certeza, a vai superar com a mesma determinação que sempre teve ao longo da sua vida.

B — Depois de 12 anos na presidência do Benfica gere o clube cada vez com mais racionalidade e menos emotividade?

LFV — Seguramente. Reconheço que no passado, em alguns momentos não foi assim. E a verdade é que temos de ser frios e às vezes criar uma carapaça para não nos deixarmos contagiar, porque o futebol é emoção, mas na grande maioria das vezes em que decidimos de forma emocional errámos.

B — Há algum entendimento preferencial com Jorge Mendes?

LFV — Não e ele sabe disso, mas também sabe as qualidades que tem. Reconheço que tem ajudado o Benfica e desse ponto de vista ganha em função das vendas que nos traz. Nada mais do que isso.

B — Houve propostas do Oriente por Lima e Jonas?

LFV — O futebol no Oriente está a conhecer um grande desenvolvimento e há também muito dinheiro. Ao Benfica não chegou nenhuma proposta pelos jogadores, mas não me admiraria nada que isso pudesse suceder. É o máximo que posso dizer nesta altura.

B — O Benfica tem apostado, neste defeso, em adquirir jovens com grande potencial e escassa experiência. A equipa, para atacar o Tri e a Champions, não precisa também de outro tipo de jogadores?

LFV — Temos sabido sempre combinar experiência com juventude. Há oportunidades que surgem e em quem apostamos, o que não significa que sejam para jogar desde já no nosso plantei profissional. Repito o que disse no inicio da entrevista: vamos ter uma equipa competitiva e capaz de atacar o tri.

B— O Benfica tem arcaboiço financeiro para contratar jogadores a 15 milhões de euros? É o que se diz que o Anderlecht está a pedir por Mitrovic…

LFV — Não estou a por em causa o valor do jogador e as suas qualidades, mas este é um dos casos em que o Benfica não está interessado, independentemente das razões, mas a imprensa por interesse de alguém continua a alimentar a novela. O jogador não está no nosso radar como objectivo para a próxima época. O mesmo posso dizer em relação a outro dos jogadores que recorrentemente aparece associado ao Benfica, Campbell. De certeza que alguém tem muito interesse em que o que o nome do Benfica apareça, mas não está nos nossos planos. Do ponto de vista teórico, nas condições actuais, nenhum clube português pode ambicionar comprar jogadores desse montante.

B — Os adeptos do Benfica estão habituados a ganhar. Que mensagem tem para eles agora que estão a começar os trabalhos da nova época?

LFV — Uma mensagem de optimismo. Sei que estes meses são sempre meses de expectativa, de sinais que às vezes são contraditórios na imprensa. A única coisa que lhes peço é que acreditem na organização do clube, na sua capacidade de dotar a equipa profissional de futebol dos melhores jogadores, nas capacidades de Rui Vitória e, finalmente, que continuem a apoiar a equipa como fizeram ao longo destes anos. Um dos grandes segredos do sucesso destes dois anos foi a união que tivemos em torna da equipa e do clube. Juntos vamos voltar a consegui-lo.

B— O Benfica vai continuar a criar condições para ser hegemónico nas modalidades?

LFV — Vamos continuar a trabalhar da mesma forma que fizemos até aqui, com a mesma ambição, com a vontade de continuar a ganhar. Se repetirmos tudo o que fizemos este ano e conseguirmos acrescentar o título de andebol então ficarei feliz!

Sensível à ambição de Gaitán
Luis Filipe Vieira foi questionado sobre se o Benfica e Nico Gaitán tem um pré-acordo com o Manchester United para a transferência, neste defeso. «É um tema que, compreende, não vou abordar», começou por dizer. sublinhando, logo de seguida, que «Gaitán é Jogador do Benfica». O presidente das águias, porém, não fecha a porta de uma eventual saída do extremo argentino de 27 anos, um dos mais valiosos Jogadores do plantel. «Sei que Gaitán gostaria de experimentar outros campeonatos e não serei eu, por tudo o que ele já nos deu, a cortar-lhe essa ambição desde que haja uma oferta justa para o jogador e para o Benfica», rematou Vieira sobre o assunto. O extremo argentino apresenta-se quinta-feira no Seixal.

«Fizemos tudo por Maxi»
Maxi Pereira acaba, hoje, formalmente, a ligação ao Benfica, sem que as negociações para a renovação de contrato tenham resultado num entendimento entre os encarnados e o lateral-direito uruguaio. O que travou, afinal, o acordo como jogador com mais longevidade no plantei atrás de Luisão. Vieira dá conta de que o Benfica fez um esforço considerável que não foi correspondido: «Rui Vitória teve uma frase na sua apresentação como treinador do Benfica que eu acho que resume bem o assunto: Espero que os oito anos com a camisola do Benfica façam a diferença. Pelo que tenho lido, não fez e lamento. Não sei se é responsabilidade dele ou do empresário. Sei apenas que tenho a consciência tranquila e que tudo fizemos para lhe apresentar, há muito tempo, uma proposta ao nível dos seus oito anos no clube. Mais nada do que isso.»

Entrevista novamente escrita mas com o antigo acordo.

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