
Era uma vez o maravilhoso mundo do “está tudo bem”.
O Record decidiu contrariar a própria Federação Portuguesa de Futebol e contabilizar Taças de Portugal como campeonatos conquistados pelo Sporting. E está tudo bem.
Só não estaria tudo bem se o Benfica decidisse transformar a Taça Latina numa Liga dos Campeões, apesar de essa competição ter antecedido a Taça dos Clubes Campeões Europeus. Aí, certamente, teríamos programas especiais, historiadores de serviço e debates durante vários dias.
Geny Catamo estará desagradado porque o Sporting não o deixa sair, mas está tudo bem. Afinal, é um jogador com contrato e ninguém o obrigou a assiná-lo.
O problema é Schjelderup não querer renovar com o Benfica. Tão grave que, todos os dias, aparece mais um detalhe para alimentar horas de discussão sobre um jogador que, até ao momento, não protagonizou qualquer manifestação pública de revolta perante as propostas recusadas.
Também está tudo bem quando Suárez aparece envolvido numa situação tratada como uma pequena escapadinha sem importância. O treinador até terá oferecido um pacote especial de férias com a família, acompanhado por um tratamento físico personalizado ao jogador.
Mal está o Benfica, que pagou seis milhões de euros pelo empréstimo de um jogador que aparece em vídeos antigos com uma garrafa na mão e com um histórico comportamental pouco recomendável. Um caso semelhante ao de Suárez, estão a perceber?
O Sporting começa a temporada com um lateral adaptado, mas está tudo bem. Está muito forte no mercado, tanto a vender como a comprar.
No Sporting, vender vários jogadores e contratar por valores elevados chama-se planeamento, estratégia e poupança salarial. No Benfica, ainda não ter contratado um central é falta de planeamento, incompetência e, naturalmente, comissões.
Há até jornais a prepararem listas de possíveis reforços, quase como quem diz: “Está aqui uma boa seleção. Caso estejam interessados, até disponibilizamos os contactos dos agentes que nos pediram para incluir estes jogadores.”
Num clube, tudo é estratégia, organização e poupança. No outro, tudo é falta de planeamento, incompetência e interesses escondidos.
Gyökeres acabou por sair do Sporting depois de uma longa pressão pública, mas o presidente leonino foi apresentado como um grande negociador, firme e implacável. O jogador saiu pelo valor que todos conhecemos, e está tudo bem.
O problema é o Benfica ter recebido por Pavlidis uma proposta semelhante ao valor da transferência de Gyökeres e ter decidido recusá-la.
Como é possível um clube manter um jogador que não faz pressão para sair e rejeitar uma proposta semelhante àquela que foi aceite pelo avançado que, em Portugal, foi apresentado como um fenómeno mundial?
O FC Porto decidiu utilizar as alegadas pinturas no relvado para controlar a narrativa mediática, e está tudo bem.
O que está mal é a imprensa seguir essa narrativa e deixar para segundo plano a grande penalidade que ficou por assinalar contra o FC Porto. Estavam dois elementos no VAR e nenhum deles aconselhou André Narciso a rever o lance.
Na minha opinião, não é novidade que a Media Livre procura frequentemente condicionar o caminho do Benfica e minimizar os problemas do Sporting.
É uma estratégia de comunicação que já terá contribuído para a perda de terreno digital para A Bola, embora este meio também prefira, demasiadas vezes, apostar em opiniões de pessoas com agendas próprias em vez de privilegiar a informação.
Queria apenas deixar registados mais alguns exemplos do maravilhoso mundo do “está tudo bem”.
Afinal, segundo eles, hoje jogamos à porta fechada.
Se querem apreciar a qualidade da informação do Now, ouçam com atenção o que a (jornalista) diz 😆😆😆😆😆😆 pic.twitter.com/aRcpGTHdRs
— Lucilia Costa (@Mlucosta) August 5, 2026
