FC Porto: 3 casos em 5 jogos e um amarelo em 59 faltas
Os adversários levam amarelo a cada oito faltas, o FC Porto a cada 59

A estatística não engana e, se não estamos perante um recorde mundial, pelo menos temos números dignos de uma candidatura ao Guinness.
Quatro jornadas, 59 faltas cometidas pelo FC Porto e apenas um cartão amarelo.
Sim, leram bem. Um amarelo em 59 faltas.
Antes dos números, vamos aos lances que têm marcado este início de temporada.
Tudo começou na Supertaça. Já perto do final, ficou por assinalar uma grande penalidade a favor do Torreense num lance entre Hwang In-beom e Dany Jean. Nem André Narciso nem o VAR entenderam intervir, apesar de especialistas em arbitragem terem posteriormente considerado que existia penálti.
Depois surgiu o Rio Ave-FC Porto, com mais um lance discutido dentro da área portista. Seguiu-se o encontro com o Arouca, no qual Hwang In-beom protagonizou uma entrada de sola que valeu precisamente o único cartão amarelo mostrado a um jogador do FC Porto nestas quatro jornadas. Na minha opinião, era uma entrada que justificava uma sanção mais pesada.
E chegámos ao Académico de Viseu-FC Porto. No lance que antecede o primeiro golo portista, William Gomes disputa a bola com um adversário num momento em que existe um agarrão que, na minha leitura, deveria ter levado à interrupção da jogada.
Mas regressemos aos números, porque esses não dependem de interpretações.
O FC Porto fez 59 faltas em quatro jogos e recebeu um amarelo. Isto significa uma média de um cartão amarelo por cada 59 infrações.
Os quatro adversários fizeram, em conjunto, 32 faltas e receberam quatro amarelos. Um cartão por cada oito faltas.
Portanto, de um lado temos um amarelo a cada 59 faltas. Do outro, um a cada oito.
Ainda mais curioso é perceber que muitas das faltas cometidas pelo FC Porto surgem em momentos de pressão, transição ou tentativa de travar a progressão adversária. Mesmo assim, os cartões continuam praticamente guardados no bolso.
Já os adversários percebem rapidamente que o critério disciplinar pode condicioná-los.
Podemos discutir um penálti, um agarrão ou a intensidade de uma entrada. Isso faz parte do futebol.
O que é muito mais difícil de discutir são 59 faltas e um único amarelo.
É um critério estatisticamente extraordinário.
E, depois de quatro jornadas, já merece ser acompanhado jogo após jogo.
Porque, se isto continuar assim, talvez o Guinness tenha mesmo de começar a prestar atenção ao campeonato português.



