Saltar para o conteúdo

FC Porto já pagou, quanto tempo precisa o Conselho de Disciplina?

FC Porto já pagou, quanto tempo precisa o Conselho de Disciplina?

Os quase 800 mil euros não chegam para apagar a mancha que o caso dos e-mails deixou no Benfica.

E convém deixar uma coisa clara. Quando falo em condenações criminais, não estou a fazer uma figura de estilo. Francisco J. Marques e Diogo Faria foram condenados criminalmente no processo relacionado com a divulgação dos e-mails, com penas de prisão suspensas na sua execução.

O FC Porto e outras entidades ligadas ao clube foram também condenados no processo cível e acabaram agora por pagar ao Benfica 799.328 euros, já com os juros acumulados.

Mas o dinheiro não apaga aquilo que foi feito.

Durante meses foram divulgados e-mails e construídas acusações que procuraram criar na opinião pública a ideia de que o Benfica recorria a métodos ilícitos para alcançar o sucesso desportivo.

O próprio Supremo Tribunal de Justiça deixou escrito que a divulgação descontextualizada e truncada dos conteúdos comprometia a genuinidade da informação transmitida.

Foi criada uma narrativa que tentou colocar o Benfica ao nível daquilo que aconteceu no futebol português durante o Apito Dourado.

Até hoje, não existe nenhuma decisão judicial que prove que o Benfica tenha recorrido aos mesmos métodos que ficaram associados àquele processo.

O que existe, pelo contrário, são sucessivas derrotas judiciais de Francisco J. Marques e de entidades ligadas ao FC Porto relacionadas com a forma como esta campanha foi conduzida.

Agora o dinheiro foi pago.

A decisão judicial também teve de ser divulgada nos termos determinados pelos tribunais.

Mas falta uma resposta importante no plano desportivo.

Em março, o Benfica voltou a perguntar ao Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol quais seriam as consequências desportivas da decisão judicial já transitada em julgado. Na sequência da participação encarnada, foi instaurado um processo disciplinar ao FC Porto e a Francisco J. Marques.

E continuamos à espera do desfecho.

É isso que importa perguntar.

Se existe uma decisão definitiva dos tribunais, se existe matéria que levou à abertura de um processo disciplinar e se o próprio Benfica exigiu a aplicação das consequências previstas regulamentarmente, quanto tempo é necessário para existir uma resposta?

Entretanto, aconteceu algo curioso noutro processo.

O FC Porto, Pinto da Costa e Francisco J. Marques recorreram ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos em seis situações relacionadas com sanções aplicadas por declarações sobre arbitragem.

Em cinco dessas seis situações, o TEDH não lhes deu razão. O tribunal considerou que existiram acusações de corrupção e manipulação de resultados sem base factual suficiente.

Num dos seis casos, deu razão à FC Porto SAD e condenou o Estado português por violação da liberdade de expressão.

Portanto, nem é necessário misturar os processos.

No caso dos e-mails, existem decisões dos tribunais portugueses que já transitaram em julgado.

Os quase 800 mil euros já chegaram à Luz.

O que continua por chegar é uma resposta definitiva da justiça desportiva.

O tempo passa e o processo vai acumulando pó.

Estão à espera de quê?

De mais um recurso, de mais uma interpretação ou de algum milagre regulamentar que permita explicar porque razão uma decisão judicial definitiva continua sem uma consequência desportiva conhecida?

O Benfica já recebeu o dinheiro.

Agora falta saber se os regulamentos também vão ser cumpridos.

Comentários

Leave a Reply

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.