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Gustavo Sá no Benfica? A Bola fez capa com zero notícia

Quando o agente de um jogador escreve a manchete por ti

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Uma capa construída sobre o nada

A notícia é simples: não há contactos entre o Benfica e o Famalicão por Gustavo Sá. É o que está escrito na própria peça d’A Bola. E ainda assim foi manchete. Vinte milhões de euros de preço, vinte palavras de substância, e uma capa que serve mais o agente do jogador do que o leitor que a comprou.

Gustavo Sá tem 21 anos, é médio-ofensivo, e é apresentado como um dos mais promissores jovens portugueses. Pode ser verdade, pode não ser. O que é certo é que o Famalicão pediu vinte milhões por ele, o FC Porto foi sondado e o presidente rejeitou publicamente a ideia, e agora a bola passou para o lado da Luz. Com o mesmo resultado previsível.

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O Benfica não precisa desta conversa

Existe uma razão simples para o interesse do Benfica ser, na melhor das hipóteses, residual: o clube já tem melhor no plantel. A área do meio-campo ofensivo está coberta com opções de qualidade comprovada a nível europeu. Gastar vinte milhões num jogador da Liga portuguesa, por muito talento que mostre, sem que haja sequer um contacto formal entre clubes, não é gestão desportiva, é ficção científica.

O mercado português está cheio deste ruído. Um agente coloca o nome do cliente em circulação, liga a um ou dois jornalistas, e de repente temos uma corrida de transferência que nunca existiu. O Porto disse que não. O Benfica nem chegou a ser perguntado, e a resposta seria a mesma.

Quando a agenda do agente vira manchete

O problema não é Gustavo Sá. O problema é um jornalismo desportivo que aceita servir de megafone para estas operações de marketing sem escrutínio nenhum. Fazer capa com «não há contactos» é uma contradição nos próprios termos. É admitir que a notícia não existe mas publicá-la na mesma porque o nome do Benfica vende jornais.

Esta história é uma tentativa de lançamento de jogador, falhada no Porto, repetida em Lisboa. O agente vai ficar à espera de uma chamada que não vem.

Não há transferência. Não houve reunião. Não há interesse confirmado. Há uma capa. E isso diz tudo sobre o estado do jornalismo desportivo em Portugal.

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