José Marinho: “Influenciar a publicação, promover a sua divulgação e, por fim, aparecer a condenar”

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Hoje, as coisas ficam mais claras. As suspeitas lançadas pela investigação do jornal O Público a Luís Duque, numa altura em que o nome do advogado aparece como solução alternativa a Pedro Proença na Liga de Clubes deixa a motivação deste enredo jornalístico mais nítida. E é o que o torna, infelizmente, tão suspeito como as alegadas suspeitas que acredita que denuncia. E se juntarmos a isso a forma encarniçada como o presidente de um clube em eleições dedica tanto tempo à sua própria campanha como à campanha de Pedro Proença percebemos quem está por detrás deste dominó de acontecimentos e denúncias.

Claro que para isto surtir efeito mediático faltava, depois, a peça principal. Chamar o Benfica à discussão para atrair a atenção dos media e das pessoas, expondo o clube como um potencial malfeitor por práticas negociais e contratuais que, afinal, não só não são ilegais como são práticas que são habituais em Portugal e no Mundo. A não ser que exista uma desconhecida adenda nas leis e nos regulamentos que considere que essas práticas sejam permitidas a todos os clubes menos ao Benfica.

A verdade é esta. Não se trata de uma investigação às práticas negociais do futebol. Porque essa estará eventualmente guardada para um jornal que decida perceber como é possível um clube contratar a outro um jogador por 7 milhões de euros e emprestar esse jogador, dois meses depois, ao clube de origem. E se esses 7 milhões de euros entraram ou não para uma conta corrente entre os dois clubes. Uma investigação que clarifique negócios como o de um jogador contratado por um determinado clube a outro e, pelo meio, contratado a um terceiro clube. Ou uma investigação que comece exatamente por este exercício do Público, tentando descobrir quem está na origem destas denuncias e que ligações existem entre essa origem e a atual administradora da SAD do Aves que se tornou conhecida, depois de ter sido convenientemente divulgado o whastapp de uma sua gravação dirigida a Luiz Andrade, um dos dirigentes que agora aparece no olho do furacão. Ainda se lembram?

PS – Entretanto fica aqui um desafio. Que se chegue à frente o primeiro que consiga demonstrar com factos e não encomendas que o Benfica praticou alguma ilegalidade contratual na relação com jogadores e outros clubes. Repito, com factos. Com provas. E que faça algo que outros não o façam e que não siga uma prática internacionalmente reconhecida.

PS – Só agora fui informado do conteúdo tacanho da newsletter de um clube, que, por acaso, é mestre nas práticas que agora estão sob suspeita. É mais uma peça do dominó a que faço referência. Com uma estratégia que já não engana ninguém. Influenciar a publicação de algo que crie embaraços ao seu rival, promover a sua divulgação e, por fim, aparecer a condenar, como se não estivesse na origem de tudo. E, no fundo, é tudo quanto é preciso. Investigar a fundo esta origem que, desde há vários anos, se dedicou à perigosa atividade de mentir, manipular e colher os benefícios desportivos de uma campanha que conta com muitos amigos e influências.