Leonor Pinhão: “É assim, aos ziguezagues, que anda a comunicação do FC Porto”

Advertisement

Se é verdade que um clube estrangeiro bateu no milhões da cláusula de João Félix, se é verdade que o presidente do Benfica não vendeu o jogador por 1 cêntimo a menos do que estava estipulado, é então caso para se dizer que não havia coisa pior que pudesse ter acontecido aos presidentes dos dois clubes rivais. Agora, e por uma adivinhável questão de autoestima, vão as massas adeptas do Sporting e do FC Porto exigir a Frederico Varandas e a Pinto da Costa que nenhum jogador dos seus seja vendido abaixo da respetiva cláusula de rescisão.

Os fãs do Sporting e do FC Porto não vão perdoar descontos forçados pelas circunstâncias que, como é do domínio público, são dominadas pela lei da oferta e da procura.

E, justamente, foi este o sarilho maior que Luís Filipe Vieira arranjou aos seus congéneres de Alvalade e do Dragão. Com que cara enfrentará Frederico Varandas os sócios do Sporting se for forçado, pelas tais circunstâncias, a vender Bruno Fernandes abaixo dos 100 milhões de euros que constam na cláusula de rescisão? E, depois de ver partir Brahimi e Herrera a lucro zero, com que face se apresentará Pinto da Costa perante os sócios do FC Porto se as circunstâncias o obrigarem a vender Alex Telles abaixo dos 40 milhões de euros convencionados na cláusula de rescisão do jogador brasileiro? E até onde irá a paciência dos jogadores cobiçados e dos emblemas que pretendem adquirir os seus serviços?

Os 120 milhões que o Benfica se prepara para receber pela transferência de João Félix moem muito o ânimo dos seus rivais diretos porque lhes tornam, pelos próximos tempos, desfavoráveis todas as comparações no negócio de vender jogadores aos estrangeiros.
Como se não bastasse, as ações do clube dispararam na Bolsa de Lisboa, continuando assim este feito mercantil de proporções inauditas a moer o ânimo dos rivais internos do Benfica porque isto também conta. Já para não falar dos 120 milhões propriamente ditos.

Michel Platini foi levado para a cadeia a contas com uma suspeita de corrupção na entrega do Mundial de 2022 ao Qatar. Platini é acusado de ter recebido contrapartidas indevidas a troco de votos na candidatura do Qatar. O advogado de Platini é o mesmo advogado de Rui Pinto, o hacker. O Mundo é muito pequeno. É a única explicação plausível.

O telefonema do presidente do FC Porto para um programa transmitido no Porto Canal onde se debatiam questões prementes do futebol da casa foi um momento bastante constrangedor. Audivelmente abatido, Pinto da Costa exortou os profissionais do canal oficial a não darem importância ao que um determinado jornal – o’Correio da Manhã’ – publica sobre o clube e terminou voluntariando-se para ir à CMTV, presume-se, pôr tudo em pratos limpos. É assim, aos ziguezagues, que anda a comunicação do FC Porto.

CONTINUAR A LER