RECORD – Concorda que os comentadores dos clubes fiquem sob a alçada disciplinar da Liga?

LUÍS BERNARDO – Tenho dúvidas se do ponto de vista constitucional é possível limitar a liberdade de expressão. Sou contra qualquer limitação deste tipo. Compreendo que se queira prestigiar as competições, medida que nós próprios defendemos, mas considero que está no âmbito do bom senso de cada um gerir estas situações.

R – O clube passa informação aos comentadores-adeptos?

LB – Estamos a falar de pessoas que supostamente são muito informadas. Elas próprias fazem o trabalho de casa, têm informação privilegiada pela sua rede de contactos e experiência. São convidadas pelo nível de qualidade de intervenção que têm.

R – Rui Vitória não é um treinador que dê grandes sound-bytes. Irá aconselhá-lo a ser mais enérgico ou agressivo?

LB – Os resultados falam por si. Se o aconselhar, será para manter a sua naturalidade e a sua forma de ser. Isso é essencial. Um dos conceitos importantes na comunicação é este: ser o que se é. Quando uma pessoa revela sensibilidade, simplicidade, humildade e ambição, não há muito a alterar.

R – Defende que ele não deve responder a ‘provocações’?

LB – Eu sei que ele sabe exatamente o que deve fazer.

R – Rui Vitória e Jorge Jesus são personalidades completamente diferentes…

LB – Cada um tem o seu estilo, como todos nós.

R – E deu-se bem o com estilo de Jesus?

LB – Não tenho nada a dizer do ponto de vista pessoal em relação às pessoas com quem trabalhei no passado.

R – A reação à arbitragem do jogo com o V. Setúbal pode servir de padrão àquilo que vai ser o posicionamento do Benfica?

LB – Não vamos confundir as coisas. O que se passou foi uma situação específica, de um árbitro já com um historial e que teve uma atuação extremamente negativa de acordo com todos os observadores isentos. Foi isso que foi referido e realçado, sem nunca servir de desculpa em relação ao resultado. Chamou-se a atenção. Mas isso não muda a mensagem que o Benfica tem transmitido: a de confiança no trabalho dos árbitros. Não teorizamos sobre percentagens de influência dos árbitros para se ser campeão. Isso sim, é condicionar e interferir.