Luís Bernardo: “Promiscuidade política, sem paralelo”

“Já não bastava o nível de promiscuidade política, sem paralelo, evidente nas listas de Pinto da Costa com um desfile de atuais e ex-políticos, ficámos agora a saber que o designado sucessor para presidente do FCP e atual presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira, é notícia porque já reuniu com colegas autarcas para discutir assuntos relacionados com a construção da prometida futura academia do FCP.

A gravidade de toda esta situação em que se misturam a gestão de cargos públicos com os interesses de um clube, e em que o papel do presidente da Câmara do Porto já não se percebe onde começa e acaba e se confunde com o de futuro presidente do Conselho Superior do FCP e eventual sucessor de Pinto da Costa, devia deixar de sobreaviso e em alerta todas as autoridades competentes.

Luís Bernardo em entrevista à BTV

O que seria se o presidente da Câmara Municipal de Lisboa aceitasse integrar as listas de um dos candidatos à liderança de um clube da sua cidade, ao mesmo tempo que surgia a liderar a eventual oferta de terrenos e gestão de projetos de construção relacionados com esse mesmo clube que envolvem financiamentos avultados.

Assim se expõe toda a hipocrisia de todos aqueles que rasgaram as vestes e tanto se indignaram com a banal oferta de dois bilhetes para um jogo a um responsável político, e que agora em situação de caos financeiro demonstram que afinal vale tudo, desde financiamentos públicos para o Porto Canal, passando por uma lista para o Conselho Superior manifestamente incompatível com a necessária transparência e salvaguarda do interesse geral.

Pelos vistos é preciso relembrar o óbvio: pode um decisor político ter um relacionamento institucional com clubes de futebol? É óbvio que sim. Mas poderá e deverá fazê-lo pertencendo aos órgãos representativos desse mesmo clube? É óbvio que não.

Afinal quem é o vicário de quem entre Rui Moreira e Pinto da Costa?