Luís Filipe Vieira deixa mensagem aos acionistas na apresentação de contas

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“Caras e Caros Acionistas,

Apesar de um conjunto de resultados económicos e patrimoniais de enorme relevância, ao fazer o balanço da época 2019/20, sinto que o que melhor exprime a alma benfiquista é um sentimento de frustração. Não poderia ser de outra forma. Frustração, porque fizemos uma primeira volta que nos dava quase todas as garantias de sucesso no final do campeonato. Frustração, porque o nosso sonho europeu esbarrou num adversário que considerávamos acessível. Frustração também, porque os nossos jovens foram, pela terceira vez, finalistas vencidos da Youth League. Mas frustração também porque não podémos terminar as competições nos escalões mais jovens. Frustração ainda porque parámos a esmagadora maioria das nossas atividades durante mais de três meses. E, finalmente, frustração porque deixámos de ter os nossos adeptos a apoiar a equipa, facto que claramente influenciou o desfecho deste campeonato.

Mas num tempo de incertezas, como aquele que vivemos desde março, é também importante gerar outros resultados, para além dos desportivos, que nos permitam continuar a poder contar com a confiança dos acionistas e de todos os stakeholders. Esse é o caminho que temos percorrido e continuará a ser esse o sentido da nossa gestão. Um caminho assente no respeito dos nossos compromissos, na credibilidade da nossa palavra ou na sustentabilidade do nosso negócio, tudo sinónimos de mais de uma década de desenvolvimento que conjuga o rigor, a paixão pelo futebol, a solidez financeira e a obtenção de resultados. É uma caminhada de afirmação crescente que culminou em 2019/20 num resultado líquido positivo superior a 40 milhões de euros, o que, num contexto fortemente condicionado pela pandemia, traduz bem o trabalho realizado fora das quatro linhas. É o sétimo exercício consecutivo da Benfica SAD com lucro, o que não pode deixar de ser enaltecido.

Naturalmente que este resultado não teria sido alcançado sem a transferência do atleta João Félix. Como já disse em mais do que uma ocasião, por muito que gostássemos de reter os nossos melhores jogadores, sobretudo aqueles oriundos da nossa formação, a dimensão económica do mercado português ainda não permite que a Benfica SAD consiga desenvolver o seu modelo de negócio, nomeadamente quando temos de competir economicamente com os maiores clubes das principais Ligas europeias.

Outro aspeto deste exercício que deve ser evidenciado é a redução do passivo da Benfica SAD, uma redução de mais de 10%, a maior dos últimos anos. Com esta diminuição, o valor da dívida líquida da Benfica SAD atingiu o ponto mais baixo da década, situando-se, pela primeira vez, abaixo dos 100 milhões de euros, cumprindo assim o compromisso que assumi de reduzir de forma sustentada o endividamento desta Sociedade. Importa agora ter a estratégia adequada para fazer frente aos desafios colocados pela pandemia e pelos seus impactos económicos e sociais. Naturalmente, queremos que tão rapidamente quanto possível, sejam levantadas as limitações ao desenrolar dos espetáculos desportivos com público e à realização das atividades desportivas nos vários escalões. A nossa economia e o nosso desenvolvimento precisam de um regresso a uma vivência futebolística em pleno. Mas queremos e sobretudo podemos ser audazes no aproveitamento das oportunidades que esta crise nos traz.

Acredito que, fruto da nossa forte situação financeira, estamos em condições de dar um salto qualitativo significativo no reforço da nossa competitividade. Ainda assim, o sentido de gestão da Sociedade manter-se-á fiel aos princípios e valores prosseguidos ao longo de décadas, sempre com a confiança dos acionistas, dos parceiros e dos patrocinadores. A todos, trabalhadores, parceiros de negócio, acionistas, sócios do Benfica e adeptos, testemunhamos a gratidão pela confiança, o compromisso de renovação da convergência de vontades e a ambição para continuar a consolidar a Benfica SAD nas suas diversas expressões: desportiva, económica e social. Num contexto atípico, tudo faremos para continuar a trabalhar e a obter resultados em linha com o caminho que percorremos. Tudo para continuar a construir e a consolidar a maior e a mais sólida referência desportiva nacional e uma marca global”.