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Marco Silva pediu melhores relvados, a Liga respondeu com nota 5

Derrota em St. Gallen expõe o problema do Benfica com bola, e Marco Silva não fugiu à contestação

Antes de tudo, convém deixar uma coisa muito clara. Nada me move contra o Marítimo, contra os seus adeptos ou contra as pessoas que trabalham no clube.

O que se defende aqui é uma melhoria das condições do futebol português, não um exercício de culpabilização do Marítimo.

Depois da vitória do Benfica na Madeira, Marco Silva foi muito claro sobre aquilo que encontrou nos Barreiros.

“Há que dizer, um campo horrível para jogar futebol, é quase impossível jogar. Estádio com ambiente certo, de apoio à equipa da casa, e apoio dos nossos adeptos, um ambiente fantástico, mas um péssimo relvado. Jogar futebol nestes relvados não faz bem ao campeonato português. É importante realçar isso. E como ganhámos, não soa a desculpa. Isto não é contra o Marítimo, não tem a ver com eles, são outras questões. Se queremos que o nosso campeonato atinja outro nível, temos de dar condições aos jogadores para mostrarem a sua qualidade. Vendemos muito mal aquilo que temos de bom.”

Mais claro era difícil.

Como acontece demasiadas vezes quando surge uma polémica em que o Benfica tem argumentos fortes, o assunto desapareceu rapidamente da agenda.

Entretanto, apareceu a avaliação oficial da Liga Portugal.

Nota 5 em 10 para o relvado dos Barreiros.

É aqui que tenho dificuldade em compreender o critério.

Quem ouviu Marco Silva falar num campo onde era “quase impossível jogar” e depois olha para uma classificação de 5 em 10 pode pensar que estamos perante uma brincadeira.

Pior ainda quando olhamos para outros exemplos.

O relvado do Estrela da Amadora, no jogo com o Sporting da primeira jornada, recebeu 3,5 em 10. Estamos a falar de terrenos onde jogam atletas profissionais, onde existem milhões de euros investidos em jogadores e onde qualquer irregularidade pode influenciar não apenas a qualidade do espetáculo, mas também a segurança e a condição física de quem está dentro de campo.

Isto não pode ser normalizado.

Marco Silva passou vários anos na Premier League, uma competição onde o relvado faz parte do produto e onde existem padrões elevados para garantir que os jogadores têm condições para apresentar o melhor futebol possível.

Por isso, tem toda a legitimidade para exigir melhores condições agora que trabalha em Portugal.

E não está a pedir um benefício para o Benfica.

Está a pedir melhores condições para todos.

Para o Benfica, para o Marítimo, para os restantes clubes e, principalmente, para os jogadores e adeptos.

Se queremos falar de centralização, valorização da Liga, crescimento internacional e centenas de milhões de euros em direitos televisivos, então não basta andar de apresentação em apresentação e de entrevista em entrevista a vender o produto.

É preciso melhorar o produto.

Um relvado nas condições em que estava o dos Barreiros não deveria receber uma nota que possa ser interpretada como suficiente.

Na minha opinião, deveria receber 1 ou 2 em 10 e, mais importante do que a classificação, deveria existir uma intervenção imediata da Liga para garantir a recuperação do terreno.

Não para castigar o Marítimo.

Para ajudar o Marítimo e proteger a competição.

Porque atribuir uma nota e seguir em frente não resolve absolutamente nada.

Marco Silva disse uma frase que devia estar escrita nas paredes da Liga Portugal:

“Vendemos muito mal aquilo que temos de bom.”

E enquanto aceitarmos relvados destes como minimamente suficientes, continuará a ter razão.

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