Mário Branco assume o incómodo: o Benfica devia estar na Champions, não na Liga Europa
O diretor-geral do Benfica não fugia à verdade no sorteio da Liga Europa. O clube sabe que o seu lugar é a Champions, não esta prova.
Três eliminatórias. Foi o preço que o Benfica pagou para chegar a este sorteio. Passou-se por elas, chegou-se ao Mónaco, e o resultado ficou selado no Fórum Grimaldi, o palco escolhido pela UEFA para desenhar o puzzle da fase de liga.
Mário Branco, diretor-geral para o futebol profissional, não fugiu ao óbvio. Podia ter escolhido a resposta de manual, aquela do respeito por todas as competições e da humildade obrigatória. Não escolheu. Disse-o sem rodeios: o lugar natural do Benfica é a Liga dos Campeões, não esta segunda montra europeia.
E tem razão. Custa a um clube com a história do Benfica estar a discutir o primeiro lugar de um grupo da Liga Europa em vez de andar a contar pontos para os oitavos da Champions. Reparem bem no que isto significa: é a própria estrutura do clube a admitir, em público, que a época europeia começou por baixo. Não é vitimização, é matemática, e a matemática não perdoa.
Dito isto, não há sinal de resignação. Branco garantiu que o Benfica vai atacar a prova com ambição, e definiu a bitola sem grandes voltas: fazer uma boa fase de liga é o primeiro objetivo. Nada de discursos inflamados. Apenas o realismo de quem sabe que está numa prova que não era o plano A, mas que também não se joga de qualquer maneira.
Fica então a dualidade. Frustração por um lado, obrigação por outro. E a pergunta que fica no ar é simples: um Benfica a jogar na Liga Europa como quem cumpre castigo, ou um Benfica a usar esta prova para voltar a aprender a ganhar fora de casa? A resposta só se vê em campo, mas as palavras de Mário Branco deixaram o aviso, o degrau é este, agora é subir.
