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Mourinho: quando a narrativa muda conforme o que vem de fora

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Há um padrão que se repete até à exaustão: ontem era uma coisa, hoje é o contrário, e em nenhum dos dois casos havia uma fonte identificada, uma confirmação oficial, ou sequer um telefonema feito a quem de direito. O tema é Mourinho. O método é sempre o mesmo.

A contradição em 24 horas

Ontem, com toda a certeza do mundo, vários programas avançavam que o acordo entre o Benfica e Mourinho estava feito. Sem rodeios, sem condicional, sem margem para dúvida. Hoje, porque lá fora apareceu outra coisa qualquer, a narrativa mudou: afinal, o Real Madrid já fechou tudo com o treinador sem sequer avisar o clube da Luz.

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Peço desculpa, mas isto não é jornalismo. É produção de conteúdo para encher horas de antena.

O que a lei diz, e que ninguém parece querer lembrar

Sem precisar de fontes privilegiadas, há dois factos elementares que qualquer pessoa com atenção ao futebol conhece. Primeiro, Mourinho tem contrato com o Benfica por mais uma época. Qualquer clube interessado nos seus serviços precisa de autorização formal do Benfica para sequer iniciar conversações, e o Benfica tem de concordar em negociar. Segundo, se o Real Madrid estiver, de facto, a negociar com um treinador sob contrato sem essa autorização, estará a violar os regulamentos da FIFA, que prevê sanções pesadas exactamente para estas situações.

Os contadores, os chouriços e os 15 milhões

Fizeram contadores em directo. Disseram, com aquela desenvoltura característica, que 15 milhões são migalhas para um clube como o Real Madrid. Encheram horas e horas de emissão sem uma novidade concreta. E no fim do dia, o que sabem de facto sobre o que se passa internamente é praticamente nada.

O Benfica conhece a sua situação. Sabe o que tem em contrato, sabe o que vale esse contrato, e sabe exactamente o que está ou não está a acontecer. Nem a tentativa de arrastar a CMVM para o assunto, numa busca desesperada por mais combustível, produziu o escândalo que se queria fabricar.

As pessoas não são parvas. E a credibilidade que se gasta hoje a inventar histórias contraditórias não se recupera amanhã com um novo contador na televisão.

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