
Hoje será, com muita pena minha, o último jogo de José Mourinho no Benfica. E digo isto com a sensação clara de que o Benfica não soube aproveitar totalmente aquilo que tinha nas mãos. Mourinho fez um trabalho de bastidores notável, deu peso, deu voz, deu proteção e trouxe uma dimensão que podia perfeitamente ter sido acompanhada por troféus. Mas em Portugal, quando o Benfica tem alguém com esta dimensão, rapidamente se percebe que não basta jogar futebol. É preciso sobreviver aos milagres.
A Liga também não soube potenciar a presença de José Mourinho. Um treinador com a carreira, o nome e a projeção internacional de Mourinho devia ter sido usado para valorizar o produto, vender melhor o campeonato, atrair atenção e elevar a competição. Em vez disso, o futebol português preferiu continuar agarrado ao lixo tóxico das televisões, aos comentadores de serviço, às agendas de sempre e aos programas que vivem de atacar o Benfica. Mourinho falou dos “milagres” necessários para o Benfica conseguir coisas grandes e deixou o aviso para a próxima época, se nada mudar, o clube arrisca-se a perder objetivos pelos mesmos motivos.
E basta ver os erros e as nomeações para perceber o que ele quis dizer. Não foi uma frase lançada ao vento. Foi um diagnóstico. Enquanto a imprensa que fica de dedo no ar nas conferências aponta sempre para dentro do Benfica, para agradar a quem não votou nesta direção e a quem usa redes sociais para patrocinar eventos de clubes rivais, Mourinho apontou para os milagres que os outros tiveram. E isso incomoda muita gente.
Voltando à novela Mourinho, tem uma certa piada ver essa mesma imprensa vir falar de incompetência. Quem é que andou a dizer que Mourinho no Real Madrid era conversa e que não ia acontecer? Foi na Medialivre. Quem é que disse que Mourinho não era a primeira opção do Real Madrid, nem a segunda e talvez nem a terceira? Foi o diretor do Record. Disse uma coisa num dia e, no outro, já andava noutro sentido, sempre conforme a corrente do momento.
Quem é que andou aos gritos por causa do contrato de Mourinho, dizendo que era um ano mais outro de opção, perante uma camisola onde se lia Mourinho 2027? Foi o subdiretor do Record. Querem melhor exemplo de incompetência do que este? Até fontes internacionais escreveram, desde a chegada de Mourinho, que o contrato ia até 2027, com cláusula de saída no fim da época.
Fizeram a novela que Jorge Mendes lhes colocou à frente para fazer. Alimentaram a história, esticaram a especulação, abriram programas, fizeram capas, inventaram cenários e, pelo meio, insultaram o Benfica e o seu treinador. Num dia Mourinho era um treinador acabado. No outro, já era novamente o Special One, desejado pelo Real Madrid, gigante mundial, homem de impacto e trunfo eleitoral.
É este o nível.
É assim que a Liga quer promover o produto? Mantendo nas televisões o ruído mais rasca, a mandar bitaites contra um clube, enquanto se vai de milagre em milagre a atribuir troféus? É isto que querem vender lá fora? Um campeonato onde Mourinho é tratado como arma de arremesso, onde o Benfica é constantemente atacado e onde a incompetência de alguns comentadores é disfarçada de análise?
Mourinho pode sair hoje, mas deixa uma frase que fica. Se nada mudar, a próxima época pode ser igual. E essa é a parte mais grave. Porque não basta contratar melhor, jogar melhor ou marcar mais golos. O Benfica tem de perceber que há um campeonato fora das quatro linhas.
E esse, infelizmente, continua minado.e ter uma pessoa como José Mourinho. O próprio Benfica não soube potenciar o facto de ter um treinador com o José Mourinho. Mas depressa se percebeu que o Benfica com Mourinho tinha de ser com milagres para afastar o clube de tudo. Basta ver os erros e as nomeações para perceber. Ontem Mourinho foi bastante claro, o Benfica na próxima temporada arrisca-se a perder os objectivos pelos mesmos motivos. Enquanto a imprensa que fica de dedo no ar aponta o dedo para dentro do clube para agradar quem não votou na direção e usa as suas redes sociais para patrocinar eventos de clubes rivais, Mourinho aponta aos milagres que os outros tiveram.
Voltando ao tema Mourinho, tem uma certa piada ver a imprensa que fica de dedo no ar nas conferências vir falar de incompetência. Quem é que veio dizer que o Mourinho no Real era conversa e que não ia acontecer? Foi na Media Livre. Quem é que disse que o Mourinho não era a primeira, a segunda e se calhar nem a terceira opção para o Real? O diretor do Record. Disse num dia e no outro disse precisamente o seu oposto. Quem é que disse que o contrato do Benfica com o Mourinho era de um ano mais um de opção andando aos gritos durante meia hora? Foi o sub-diretor do Record perante uma foto de uma camisola que dizia Mourinho 2027, ou seja dois anos. Querem melhor incompetência que isto?
Fizeram a novela que o Mendes lhe colocou à frente para fazer. Pelo meio insultaram Benfica e o seu treinador. De treinador acabado para um treinador Special one. É assim que a Liga quer promover o produto. Manter o lixo tóxico nas televisões a mandar bitaites contra um clube enquanto andam de milagre em milagre a atribuir troféus.

