
Cento e trinta e um mil quinhentos e trinta. Foi esta a conta de visitantes que o Museu Benfica – Cosme Damião fechou na época 2025/26, e vale a pena parar neste número antes de falar da festa. Um museu de clube, em Lisboa, a puxar 131 mil pessoas num ano. Já não é caso raro, é rotina: há anos que a marca dos 100 mil ficou para trás. E convém dizê-lo sem falsas modéstias, poucos espaços da cidade metem tanta gente pela porta dentro.
O pretexto para escrever é o aniversário. O museu abriu portas a 26 de julho de 2013 e faz este domingo 13 anos, com a inauguração da exposição O Manto Sagrado, um percurso pelas camisolas de futebol do Benfica ao longo do último século, acompanhado por uma visita guiada com o mesmo nome. Quem gosta de equipamentos vai ter pano para mangas.
Mas o que sustenta estes números não cai do céu. São 4000 metros quadrados, 29 áreas temáticas, cerca de 1300 objetos expostos de um acervo que já ronda os 38 mil bens culturais. E, sobretudo, é trabalho de casa feito ao longo do ano.
Aqui está o dado que interessa perceber e que ninguém costuma sublinhar: o museu deixou de viver só das visitas de adeptos. Na última temporada foram mais de 40 iniciativas, 80 visitas guiadas só para estrangeiros, parcerias com o Museu Nacional do Azulejo, o Museu Nacional de Etnologia, a Hemeroteca Municipal e por aí fora. Houve documentários com as embaixadas dos Países Baixos e de Itália, conversas sobre Eusébio e os Magriços de 1966, e uma noite europeia dos museus que juntou 510 pessoas numa só sessão.
Depois há a parte que fica esquecida quando se fala em números de bilheteira: a educação. Passaram pelo museu 12 613 alunos em visitas escolares e no projeto Passaporte Escolar, feito com a Câmara de Lisboa. Nove edições de uma atividade de química para o 3.º ciclo, Dia Aberto a Professores, presença no Dia da Criança. Isto é semear.
É esta a leitura que fica. Um clube que trata a sua história como património e não como montra de troféus. As camisolas do Manto Sagrado são o cartaz deste domingo. O trabalho de fundo é que explica os 131 mil.
