“Não é Pepe quem quer, é Pepe quem pode”

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Três funcionários, melhor, dois funcionários e um ex-funcionário do Benfica, todos estrangeiros por sinal, entenderam tomar posição pública sobre o lindo serviço que Artur Soares Dias prestou anteontem na Luz. No rescaldo imediato do jogo e perante o silêncio institucional do Benfica – que, com toda a franqueza, já mais se parece com uma doença crónica – foram Alejandro Grimaldo, um espanhol, Nicolas Otamendi, um argentino, ambos funcionários do Benfica, e outro argentino, Eduardo Salvio, um ex-funcionário hoje residente em Buenos Aires, que tomaram as dores do povão benfiquista e exprimiram as suas opiniões sobre o trabalho profícuo do líder espiritual dos árbitros portugueses e, mais do que certo, futuro presidente da Liga de Clubes. Presidente da Liga? Sim, porque, por todos os motivos curriculares e mais um, não haverá no país melhor candidato para um dia substituir Pedro Proença nesse importante posto do que um Artur Soares Dias propriamente dito. E quem sabe se, quando esse dia chegar, não contará o árbitro portuense com os votos do Benfica para a sua eleição?

Porém, com os votos de Grimaldo, Otamendi e Salvio é que Artur Soares Dias nunca contará. A mesma história de sempre, vergonhoso, inacreditável, vergonhoso, sempre o mesmo, incrível – traduzidas do castelhano para o nosso falar português, foram estas as palavras, sensatas, com que o trio de funcionários e ex-funcionários do Benfica entendeu por bem comunicar o que lhes ia na alma poucos minutos depois do fim do jogo com o FC Porto preenchendo, assim, o vazio oficial sobre a matéria em apreço nessa noite tão elucidativa no ramo das artes comparativas.

Comparar a atuação de Artur Soares Dias nos desafios Braga-Sporting e Benfica-FC Porto, jogos-chave na definição do título e do acesso direto à Liga dos Campeões, não é um exercício vão. O mesmo Dias, “sempre o mesmo” na ideia de Eduardo Salvio, que no espaço de 8 minutos exibiu dois cartões amarelos a Gonçalo Inácio reduzindo o Sporting a 10 em campo mal tinha passado o primeiro quarto-de-hora de jogo na Pedreira, recusou-se terminantemente a aplicar a mesma medida disciplinar a Sérgio Oliveira que viu um cartão amarelo aos 15 minutos e que ao 17 e aos 20 minutos entrou de cavalgadura sobre Rafa e sobre Pizzi sem que o árbitro apitasse sequer essas faltas grosseiras não fosse a situação complicar-se. A “mesma história de sempre”, de acordo com o juízo de Alejandro Grimaldo, repetir-se-ia com Pepe a quem a expulsão foi também poupada porque não é Pepe quem quer, é Pepe quem pode, como Gonçalo Inácio poderá, melhor do que ninguém, testemunhar.

Ao contrário do Benfica, que não resistiu a Artur Soares Dias, nem a si próprio nesta temporada, o Sporting sobreviveu a Artur Soares Dias tão bem, tão bem que até venceu o tal jogo em Braga. E é por isso que vai ser campeão.