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Não há investigações aos árbitros a pedido do diretor do Record?

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Vou esperar bem sentadinho para ver se o diretor do Record vai usar as mesmas palavras que usou quando o lance envolvia o Sporting.

Na altura, perante um suposto penálti que nem sequer foi unânime entre antigos árbitros, o tom foi de escândalo nacional. Pediu-se investigação aos árbitros e ao VAR da partida. Falou-se de suspeitas, de comportamentos estranhos, de decisões inexplicáveis e até se entrou pelo terreno das apostas desportivas. No fundo, disse-se o que apeteceu para lançar todo o tipo de suspeitas sobre quem estava em campo e sobre quem estava na sala do VAR.

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O lance em causa foi no AVS Sporting, entre Devenish e Rafael Nel. O árbitro foi chamado ao VAR, viu as imagens e manteve a decisão de não assinalar penálti. O próprio Record publicou que Bernardo Ribeiro, diretor do jornal, considerou que esse lance “tem de ser investigado”.

Muito bem. Então agora é simples.

Depois do que se passou ontem em Famalicão, não espero outra coisa de um diretor de um jornal que se diz imparcial. Se ainda quiser manter algum respeito junto dos leitores benfiquistas, terá de dizer precisamente o mesmo. Terá de pedir investigação. Terá de fazer as mesmas perguntas. Terá de exigir a mesma transparência. Terá de ter a mesma coragem editorial.

Porque aquilo que se passou em Famalicão vai muito além de um simples lance de interpretação.

O Benfica pediu penálti por mão de Rodrigo Pinheiro aos 33 minutos, mas Gustavo Correia e Rui Oliveira mandaram seguir. O Record também noticiou o lance e a irritação dos jogadores do Benfica e de José Mourinho no banco. Depois, no segundo golo do Famalicão, fica a dúvida sobre o canto que originou o empate. José Leirós, na análise da Renascença, deu nota 2 a Gustavo Correia e admitiu dúvidas sobre a existência desse canto.

Portanto, se um lance dividido a favor do Sporting merecia investigação pública, o que merece um jogo onde há um penálti por assinalar, um canto muito duvidoso que dá golo, uma arbitragem criticada de forma duríssima e um Benfica que acaba por perder dois pontos numa luta direta pela Liga dos Campeões?

Ou a indignação só funciona quando o Sporting se queixa?

É aqui que se mede a coerência. Não é quando se fala para a bancada verde e branca. Não é quando dá jeito entrar na corrente de protesto de Alvalade. É agora. É quando o Benfica é prejudicado. É quando os mesmos critérios têm de ser aplicados ao outro lado. É quando a imparcialidade deixa de ser palavra bonita e passa a exigir consequência.

Mais ainda, no VAR estava Rui Oliveira, um árbitro com histórico público de polémicas no seu percurso. O próprio Record escreveu, em 2017, que Rui Oliveira teve uma “ascensão polémica” à primeira categoria e que o seu nome esteve envolvido num processo contestado ligado aos exames e à subida na arbitragem.

Agora sim, diretor do Record. Agora faz sentido pedir uma investigação.

Não porque o Benfica precise de favores. Não porque o Benfica tenha de ganhar sempre. Não porque se deva transformar cada erro numa teoria. Mas porque quem pediu investigação num caso em que o Sporting se sentiu prejudicado tem a obrigação moral de pedir o mesmo quando o Benfica é prejudicado num jogo decisivo.

Se a preocupação era a verdade desportiva, então a preocupação tem de continuar. Se a preocupação era a transparência, então a transparência tem de servir para todos. Se a preocupação era perceber porque é que um árbitro vê imagens e decide de determinada forma, então também é preciso perceber porque é que um VAR não intervém num possível penálti a favor do Benfica e porque é que um canto duvidoso acaba por decidir o jogo.

O que não pode acontecer é haver uma indignação de primeira e uma indignação de segunda. Uma para o Sporting, com programas, títulos, suspeitas e exigências. Outra para o Benfica, com silêncio, relativização e o habitual “faz parte do jogo”.

Não faz.

O Benfica perdeu dois pontos em Famalicão e não foi apenas por culpa própria. Também há erros da equipa, claro que há. Mas isso não apaga o resto. E o resto é grave demais para ser tratado como detalhe.

Agora fico à espera. Sentado, porque isto pode demorar.

Quero ver se o diretor do Record vai repetir a mesma exigência. Quero ver se vai pedir investigação ao árbitro e ao VAR. Quero ver se vai falar com a mesma dureza. Quero ver se vai colocar as mesmas perguntas. Quero ver se a verdade desportiva que tanto o preocupou no caso do Sporting também o preocupa quando o prejudicado é o Benfica.

Porque imparcialidade não é falar alto contra uns e baixar a voz contra outros.

Imparcialidade é ter a mesma régua.

E ontem, em Famalicão, essa régua voltou a desaparecer.

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