
Chegou à Luz no dia 31 de agosto para ver o Benfica–Estoril, da quarta jornada da Liga Betclic, e nem imaginava o que o esperava antes de sequer pensar em bancada. Jorge tem 13 anos e o sonho era simples, entrar no estádio e ver a equipa ao vivo. O que recebeu foi bem mais do que isso.
O Futebol Profissional do Benfica juntou-se à Fundação Benfica para preparar uma surpresa a Jorge. Nada de bilhete e adeus. O rapaz foi recebido num local privilegiado logo à chegada da equipa ao estádio, ali mesmo onde normalmente só passam jogadores, staff e imprensa credenciada.
E interagiu com o plantel. Não foi um aceno rápido à distância, foi um momento a sério, do género que fica guardado numa gaveta da memória para sempre. Só depois, já com a energia certa, é que Jorge subiu às bancadas para assistir ao jogo como qualquer outro adepto, ainda que este tenha sido tudo menos um adepto qualquer naquela tarde.
É fácil olhar para isto e pensar, ok, é só um miúdo e um jogo. Mas não é bem assim. Este tipo de gesto diz muito sobre o que um clube decide fazer com a dimensão que tem. O Benfica podia ter ficado só pelo resultado dentro das quatro linhas. Escolheu ir mais além e transformar o sonho de um adolescente de Viseu numa experiência que o próprio provavelmente nunca imaginou viver na íntegra.
No fim, o marcador do jogo é uma nota de rodapé nesta história. O que fica é a imagem de Jorge, os 13 anos, a passar por onde só os eleitos costumam passar, e depois a aconchegar-se na Luz para ver de perto aquilo que só tinha visto pela televisão. Há dias em que o futebol serve para isso mesmo, para lembrar que por detrás de cada bandeira há sempre alguém a sonhar.

