O campeonato português continua a ser uma autêntica comédia e, semana após semana, não desilude na capacidade de se superar.
Vimos o FC Porto a pressionar um árbitro com uma televisão dentro do balneário ao intervalo de um jogo — algo nunca visto. Passaram lances em loop, até imagens de jogos de crianças. O que se seguiu foi um chorrilho de queixas públicas sobre arbitragem, enquanto em privado andavam em reuniões com o líder dos árbitros e Federação.
Agora, depois de intimidarem o treinador do Estoril, o árbitro que foi pressionado no Dragão transforma-se, de repente, no alvo. O FC Porto apresentou uma participação que resultou na abertura de um inquérito contra… o próprio árbitro. Isto sim, é mágico.
Eis o que diz o documento:
«Apuramento da relevância disciplinar de factualidade participada pela FC Porto – Futebol SAD.»
E a acusação dos dragões:
«Após o término do último FC Arouca–FC Porto, e perante várias testemunhas, o árbitro Fábio Veríssimo ameaçou dirigentes do Clube com expulsões e outras formas de intimidação, ameaças essas que, no entendimento do FC Porto, vieram a concretizar-se no jogo do passado domingo.»
Ou seja: o clube que pressiona árbitros no intervalo com imagens selecionadas — e que não vê problema nenhum nisso — corre a queixar-se de “intimidação” e “perseguição”.
Mas sobre a televisão no balneário, o episódio mais grave de todos, que até motivou notas de repúdio na arbitragem?
Silêncio absoluto. Nem um piu.
É o mesmo filme de sempre: fazem o que querem, viram o tabuleiro quando lhes convém e, no fim, ainda se apresentam como vítimas.
O campeonato português, esse, continua a caminhar alegremente para o absurdo.
