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Obrigado por tudo, capitão!

O vínculo contratual poderá terminar, mas o emocional e o histórico perdurarão para sempre.

Jardel, “o guerreiro da Luz”, deixa de representar o Benfica após 10 temporadas e meia, nas quais conquistou 14 títulos e troféus e se notabilizou pela elevada competência, entrega inexcedível, compromisso permanente e regularidade assinalável, características que lhe valeram a conquista a pulso da sempre exigente massa adepta benfiquista.

 

Chegou ao Clube em 2010/11, contratado ao Olhanense ia já a época a meio, incumbido da espinhosa tarefa de substituir David Luiz, admirado pela massa associativa e de partida para o Chelsea. Cedo se impôs, conquistando a titularidade e começando a demonstrar os atributos que suscitaram o interesse benfiquista na sua contratação.

Após três temporadas enquanto primeira opção de recurso na sua posição (59 vezes titular), Jardel firmou-se no onze inicial, passando a ser uma referência da equipa e estreando-se, inclusivamente, no papel de capitão. Foi figura central do bi e do tri, indispensável na caminhada rumo ao 37.

Jardel faz parte do restrito lote de futebolistas tetracampeões nacionais de águia ao peito (com André Almeida, Fejsa, Luisão e Salvio) e venceu mais um Campeonato, num total de 5, um feito que apenas 41 jogadores alcançaram em toda a história do Benfica. Contribuiu ainda para o triunfo benfiquista em duas Taças de Portugal, 5 Taças da Liga e 2 Supertaças (e fez parte do plantel que conquistou mais duas).

Na época do tri, num campeonato disputado palmo a palmo, foi o autor de dois golos decisivos, nas 30.ª e 32.ª jornadas, que valeram os três pontos à equipa em cada uma delas. Na época anterior, a do bicampeonato, marcou em Alvalade no tempo adicional e evitou a derrota.

Não foram, no entanto, estes golos fundamentais para títulos ou a consistência exibicional ao longo de anos que o tornaram consensual entre os benfiquistas.

Foi antes o regresso do balneário para a segunda parte de uma partida, na Luz, trajando uma toca protetora depois de ter necessitado duma longa assistência médica no primeiro tempo. Só passadas algumas horas do jogo terminado os benfiquistas tiveram oportunidade de perceber quão impressionante havia sido a galhardia com que Jardel abordara os lances de cabeça. O golpe profundo na face, que viria a necessitar de 20 pontos de suturação, em nada afetou o rendimento do central, a partir desse momento, por definição e por mérito próprio, um jogador à Benfica!

O Benfica e os benfiquistas estão agradecidos a Jardel pelo seu contributo para a causa benfiquista. Foi, indubitavelmente, daqueles jogadores do Benfica que, sempre que entrou em campo ao serviço do Clube (320 vezes pela equipa A, das quais 288 em todas as competições oficiais, incluindo 3 da Taça de Honra da AFL), se empenhou em cumprir o repto “honrai agora os ases que nos honraram o passado”. Quando os jogos voltarem com público, Jardel estará na Luz para a devida homenagem dos sócios do Benfica e a merecida ovação no relvado.

Obrigado por tudo, capitão!