Parceria com FC Porto investigada pelo Ministério Público

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O centro da investigação prende-se com a origem do capital utilizado por Lalanda e Castro nesta operação. Tudo porque os fundos de cerca de dois milhões de euros usados tiveram origem na Ruby Capital Corporation, uma sociedade offshore das Ilhas Virgens Britânicas que tem Lalanda e Castro como beneficiário e que já é conhecida do Ministério Público desde o caso da Máfia do Sangue, tendo sido transferidos por Lalanda para a Convida e daí para a SAD do Porto.

Estão em causa suspeitas dos crimes de fraude fiscal e branqueamento de capitais que levaram à realização de buscas judiciais nas instalações da SAD do Porto e na sede da Convida – Investimentos Imobiliários e Turísticos, SA, a empresa escolhida por Lalanda e Castro para investir no passe do ponta-de-lança brasileiro. As buscas chegaram ao conhecimento da opinião pública na noite desta quinta-feira através de um comunicado da SAD do Porto, tendo a sociedade anónima desportiva confirmado as buscas para recolha de toda a documentação relacionada com o jogador Walter e reafirmado “a sua total disponibilidade para colaborar com a Justiça.” Contactada pelo Observador, a SAD do Porto não quis prestar mais declarações, tendo remetido para o comunicado emitido ontem à noite.

Apesar de Lalanda e Castro ser o visado principal da investigação, os procuradores do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) estão igualmente a escrutinar a participação da SAD do Porto e do eventual conhecimento que os responsáveis daquela sociedade anónima desportiva teriam sobre a origem do capital usado por Lalanda e Castro.

Os contornos da transferência de Walter para o Porto
A aquisição de Walter pelo Porto foi revelada a 28 de julho de 2010, tendo a SAD liderada por Jorge Nuno Pinto da Costa comunicado que tinha adquirido 75% dos direitos económicos por seis milhões de euros ao Clube Atlético Rentistas, um clube uruguaio ligado ao empresário Juan Figer, velho conhecido de Pinto da Costa.

Mais tarde, a 15 de outubro de 2010, a SAD do Porto comunicado ao mercado que tinha alienado 25% dos direitos económicos do passe de Walter por cerca de 2,1 milhões de euros à Pearl Design Holding Ltd — uma empresa que chegou a ser detida em 2006 pela sociedade offshore TIM Investiments, Ltd, sediada no paraíso fiscal das Ilhas Turcas e Caicos, antes de ser vendida em 2010 ao grupo britânico Premier Group.