Foi Rui Costa quem se deslocou, em nome do clube, para entregar a petição. Nada de comunicados frios enviados por email, o próprio presidente fez-se representar em pessoa. Isto conta uma história por si só, a de um clube que decidiu jogar esta batalla dos direitos televisivos fora dos relvados e dentro das instituições.
O texto pede algo concreto, a suspensão e a revisão de como se vendem hoje, em bloco, os direitos audiovisuais das competições. Não é um desabafo, é um pedido formal dirigido ao Parlamento, e a Assembleia da República já lhe deu luz verde. A petição está agora disponível para quem quiser assinar, através da plataforma eletrónica da própria Assembleia.
E foi aqui que a coisa ficou interessante. Mal o Benfica anunciou a petição e o link ficou público, a plataforma da Assembleia da República simplesmente não aguentou. Tanta gente a tentar entrar ao mesmo tempo que o sistema encravou. Não é todos os dias que um site do Estado cai por causa de um assunto do futebol.
O clube, esperto, não deixou o entusiasmo esfriar. Passou a disponibilizar o acesso à plataforma diretamente através do seu próprio site oficial, contornando o estrangulamento e mantendo a porta aberta para quem quer subscrever.
A leitura de fundo aqui não é só emocional, é estrutural. O modelo centralizado de venda dos direitos é uma discussão antiga no futebol português, e sempre que se fala nele há quem ganhe e quem perca com a forma como o bolo é dividido. O Benfica escolheu agora o caminho institucional para pedir mudança, e a resposta imediata do público, medida naquele colapso do site, é o primeiro sinal de que o tema toca num nervo sensível de muita gente, não só dos encarnados.
Resta agora ver quantas assinaturas junta esta petição e que peso político ganha. Mas o arranque, com um site do Parlamento a ceder à procura, já diz muito sobre o interesse real que este debate desperta.

