“Hungarian dance n.º 5″… peça de um célebre compositor alemão do romantismo novecentista que, por qualquer motivo, estendeu a sua atenção à cultura popular húngara. Ficou na história musical. “Benfica leaks”, célebre empreitada informática que um hacker português realizou para o bem da humanidade, já neste século. Por qualquer motivo, sabe-se lá se não serão “saias” ou “calças”, também foi parar a Budapeste. Já o querem eternizar. Ora experimentem ouvir a peça partilhada enquanto pensam sobre o enredo que desenrolam para vosso deleite. Eu já estou extasiado! E é de ficar…

Aos 23 anos descobre que ganhar a vida atrás de um ecrã com a intrusão em contas bancárias alheias, para obter dinheiro alheio, é algo genial. Não tão genial foi a forma de se safar dessa. Devolver a “pasta” para escapar à alçada criminal, qualquer um faria. É o artigo 24.º do Código Penal, diz com eloquência o seu ex-advogado, agora também comentador desportivo, nos intervalos do seu fervoroso e declarado portismo. Ahahahahah! Uns anos mais tarde, o hacker evolui no conceito e dedica-se à extorsão. Pura e dura. Ataca onde há dinheiro à farta e segredos comerciais e pessoais. E depois negoceia para trocar confidencialidade por trabalho remunerado. Terá sido novamente safo pelo genialidade interpretativa e ouvido do seu ex-advogado, que identificou numa área de serviço de autoestrada um porto seguro para ouvir uma proposta. Em Espanha a melodia terá sido mais fina… A jactância com que isto flui só poderia encontrar na planura noticiosa doméstica o leito ideal para se espalhar. E é nessa terra fértil que chega a eternidade: o hacker português, afinal, não quis lixar o Benfica em conluio com os criminosos do costume. Nada disso. Ele quis foi neutralizar a criminalidade organizada em torno do futebol. Ele é um whistleblower! Um denunciante. Piratas somos nós! E o Benfica é que está por trás de todos os males do futebol português, não se esqueçam. Desculpem ter-vos feito perder tanto tempo. Vamos à parte séria.

Muito provavelmente, a detenção estaria a ser preparada há algum tempo. Uma defesa com William Bourdon e Francisco Teixeira da Mota não se prepara em poucas horas úteis. Um é especialista na defesa de processos de criminalidade económica internacional. Reputado e caro. Ideal para o patrocínio de processos de criminalidade transnacional. O português é um valoroso advogado, respeitado pelo seu trabalho continuado na defesa e promoção da liberdade de informação. Advogado de “O público”, conhecerá o périplo de toda a cadência de recursos nas instâncias nacionais, até ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, onde se encontrará com Bourdon.

Este é o esquema para defesa da tese nuclear de quem utilizou os emails roubados ao Benfica, para obter segredos comerciais e informações para ataques pessoais. Limitaram-se a informar para bem do interesse social, e da verdade desportiva, com recurso a “fontes”. Este não é o argumento do hacker, note-se, apesar de ser o “sumo” do comunicado dos seus novos advogados. Este pouco se importa com o direito e liberdade de informar. O seu negócio é mais reuniões, como diria o ex-advogado. É a fama, o reconhecimento internacional e o proveito inerente. Mas a imagem destas primeiras horas é outra. Um rapaz de origens humildes que tem um talento e que está apavorado pelo benfiquismo vingativo que tudo domina nesta terra de corruptos.

A esta hora devem estar a escrever algo do género para as autoridades húngaras. De anti-benfiquismo percebem de sobra. Se não for o seu mandatário, alguém por ele. Mas a humildade não lhe cerceou o engenho para viver numa capital europeia e receber, aí, compatriotas famosos, como Bruno de Carvalho e Nuno Saraiva. Nas horas vagas desloca-se à Alemanha para se tornar interlocutor do Der Spiegel, representante de um consórcio internacional de meios de comunicação. Geram milhões de euros em vendas com subprodutos do futebol. E lá aparece o Grupo Impresa, com uns artigos “football leaks”, de quando em quando. Quando se cansa do Benfica. Pois bem, estou-me borrifando para o hacker, para o Francisco Marques e seus figurantes, para Bruno de Carvalho e não sei ao certo se Nuno Saraiva não estará a viver na Hungria, por troca, no apartamento do hacker. São uns lacaios de provisória utilidade. O que me interessa mesmo, é ir ao ponto desportivo.

A estratégia de comunicação subjacente a toda esta associação de figuras visou soltar as amarras dos poderes corruptos que condicionam a arbitragem e a disciplina. Para que o antigamente volte, sofisticado e reforçado. A cada notícia com conteúdos criminosos, que visam o Benfica, são mais uns parágrafos de vergonhosos acórdãos e autos que são escritos. Com impunidade garantida. A cada programa televisivo de difamação e injúria doentias, são mais uns apitos viciados que controlam um resultado, a gosto. E depois? Depois não há espaço mediático e judiciário para tanta porcaria. O entupimento dos canais é a bomba atómica destes pobres de espírito, inimigos do desporto. A cada época sob este ambiente, mais longe fica a baliza adversária para o Benfica, mais longe ficam os nossos objetivos desportivos e mais perto ficam das buscas ao Estádio da Luz. Mais violência gratuita e inconsciente se enfrenta nos estádios, mais sofrem os adeptos por ser do Benfica. Autênticos heróis. Eles sim, não o hacker. Nas ruas, nas escolas, nos empregos. Somos perseguidos por uma associação de interesses de ódio e de crime organizado. O hacker não é mais que um suspeito. Mas os beneficiários da sua atividade são criminosos factuais que não conhecem limites. Corrompem o futebol. Corrompem a Justiça. Corrompem a sociedade e a coesão nacional. E duvido que algum dia lhes ponham as mãos em cima. Mas não desistimos. Ah, já me esquecia. Não fui eu que escrevi. Apareceu escrito e nem tive de pagar.

Artigo escrito pela página: Se um Benfiquista incomoda muita gente