O tema foi pouco falado nas redes sociais e deveria ter sido muito mais amplificado. Afinal, quando se trata do Benfica, temos horas e horas de polémicas, algumas fabricadas até ao limite, porque é preciso espremer o assunto enquanto der audiência, cliques e visualizações.
No caso de João Palhinha, chegaram ao ponto de começar a analisar salários e a juntar tudo à transferência para apresentar o negócio como uma operação gigantesca.
Começaram por falar em valores globais na ordem dos 50 milhões de euros. Depois foram 40 milhões. O Jogo chegou a falar em contas próximas dos 35 milhões. Quando começaram a ser confrontados com negócios de FC Porto e Sporting envolvendo jogadores que custaram valores semelhantes ou superiores, apareceu uma nova justificação: a idade de Palhinha.
O problema é que esse argumento também encontrou rapidamente exemplos capazes de o desmontar. Surgiram comparações com jogadores experientes contratados pelos rivais e com casos em que benefícios fiscais, como o Programa Regressar, tiveram influência nos custos salariais. Aliás, o próprio Record explicou no passado que o FC Porto beneficiou desse regime no regresso de Pepe.
Quando confrontados com estes factos, parece que o problema já não é discutir os números. Quase passa a ser obrigatório elogiar o negócio dos outros em vez de comparar critérios.
Fica feio?
Fica. Mas sobretudo para a credibilidade de quem utiliza uma calculadora diferente consoante o clube em causa.
E já que falamos de credibilidade, houve um episódio esta semana que passou praticamente pelos pingos da chuva.
Paul Pogba rescindiu com o Mónaco e, pouco depois, Record e O Jogo noticiaram que o internacional francês iria representar o Fortuna Sittard, dos Países Baixos. A informação foi atribuída a Fabrizio Romano.
Havia apenas um pequeno problema: não era Fabrizio Romano.
Era uma conta falsa.

Dois dos principais jornais desportivos portugueses pegaram numa publicação que circulava nas redes sociais, transformaram-na em notícia e só depois perceberam que tinham sido enganados.
É também este o nível de algum jornalismo desportivo em Portugal. As redes sociais deixaram de ser apenas uma fonte de pistas e, em determinados casos, parecem ter-se transformado numa redação gratuita onde a velocidade vale mais do que a confirmação.

Depois existem outros assuntos em que acontece exatamente o contrário.
Sobre Suárez e Pote, por exemplo, gostaria de ver o mesmo entusiasmo, a mesma investigação e as mesmas horas de televisão dedicadas a perceber todos os factos disponíveis. Não insinuações, factos.
Porque todos sabemos o que provavelmente aconteceria se aparecesse um vídeo de Jhon Durán com uma garrafa na mão. Haveria especialistas, psicólogos, antigos jogadores, comentadores e três dias de debate sobre o comportamento do reforço do Benfica.
No Benfica, uma imagem chega para abrir um processo mediático.
Noutros clubes, às vezes parece ser necessário um requerimento.


