Poker, charutos e milhões: Marcos Rojo e outros quatro grandes flops do futebol português

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A primeira liga portuguesa tem-se vindo a destacar no panorama internacional devido à sua capacidade para exportar um grande número de jogadores de grande qualidade. Clubes como o Benfica, o Porto e o Sporting sobrevivem com base nas suas transferências milionárias, que em nada ficam a dever aos negócios realizados em campeonatos de maior calibre, como o francês ou o alemão.
Casos recentes, como o de João Félix ou de Bruno Fernandes, parecem demonstrar com claridade que o futebolista português é mais valorizado do que nunca lá fora. Além disso, a tendência tem-se vindo a alastrar cada vez mais a emblemas de menor estatuto do nosso campeonato: vejam-se os exemplos do Braga, que vendeu Francisco Trincão por 30 milhões de euros ao Barcelona, ou do Vitória, que conseguiu transferir o defesa-central Edmond Tapsoba para o Bayer Leverkusen por cerca de 16 milhões de euros.
São números astronómicos que funcionam como um bom indicador da qualidade do nosso campeonato. Mas para cada caso de sucesso, desde Cristiano Ronaldo a Rúben Dias, dá-se também um ou outro caso de insucesso. E discutivelmente, nenhum outro jogador ilustra um flop da liga portuguesa melhor do que o argentino Marcos Rojo, que brilhou a jogar no centro da defesa do Sporting mas que nunca se conseguiu impor no Manchester United. Se já não se lembrava de Rojo, não é de admirar: o argentino realizou um total de 15 jogos (alguns a partir do banco) nas últimas 3 temporadas e, inacreditavelmente, só muito recentemente foi dispensado pelo United a título definitivo.

 

Poker, charutos, e o regresso à Argentina

 

Não existem dúvidas de que Marcos Rojo é um excelente futebolista. Ao serviço do Sporting, Rojo demonstrou toda a sua qualidade, tendo aparecido com destaque nas épocas 2012/13 e 2013/14 e oferecendo um bom nível de consistência exibicional tanto no centro como no lado esquerdo da defesa. Crucialmente, Rojo foi também importante ao serviço da sua seleção, onde teimam em faltar defesas de classe mundial e onde conseguiu realizar mais de 60 jogos!
Mas ao serviço do United, Rojo viu a sua reputação passar de “jogador promissor” a flop autêntico. No ano passado, Rojo foi mesmo apanhado num vídeo a jogar poker texas holdem com os amigos e a fumar um charuto, algo que é estritamente proibido para jogadores profissionais de futebol. Para piorar a situação, o defesa argentino estava simultaneamente a desrespeitar as regras de conduta e segurança pública.
Foi um momento que espelhou toda a desmotivação e falta de profissionalismo que caraterizou a passagem de Rojo pelo United. Apesar das inúmeras oportunidades, acabou a jogar na equipa de reservas do United e nunca aceitou qualquer proposta de rescisão amigável: afinal, recebia cerca de 2.4 milhões de euros todos os anos…
Num momento em que Rojo se prepara para voltar à Argentina para jogar no histórico Boca Juniors, onde terá uma chance única de voltar aos seus tempos áureos, aproveitámos para recordar cinco outros grandes nomes do futebol português que até tinham tudo para brilhar lá fora, mas que acabaram por deixar muito a desejar.

 

Quatro jogadores que brilharam em Portugal mas que floparam lá fora

 

Jackson Martínez: contratado pelo Porto ao Jaguares do México, Jackson chegou com a tarefa ingrata de tentar fazer esquecer Radamel Falcão. Contra todas as expetativas, Jackson surpreendeu e tornou-se num goleador magnífico ao serviço dos Dragões.
Na sua terceira época fez 32 golos em 42 jogos e mudou-se para o Atlético Madrid, onde… nunca se conseguiu impor. Bastou cerca de meio ano em Espanha para que Jackson fosse despachado para a liga chinesa. Acabou por terminar a carreira em 2020, ao serviço do Portimonense.
Islam Slimani: outro grande avançado que chegou como um desconhecido (vinha da liga argelina) mas que se tornou herói em Portugal, Slimani parecia ter tudo para se tornar na alternativa a Vardy que o Leicester City procurava. No entanto, a sua transferência acabou por não dar resultado (13 golos em 36 jogos). Até hoje, o internacional argelino não se conseguiu impor definitivamente em clubes como o Mónaco, o Fenerbahçe, ou o Lyon.
João Mário: pode parecer estranho mencionar João Mário (tem feito uma boa época), mas a verdade é que o médio-centro desiludiu muito desde que trocou o Sporting pelo Inter. Partiu na qualidade de campeão europeu mas rapidamente se tornou num excedentário do plantel dos italianos, tendo seguidamente sido emprestado (sem sucesso) ao West Ham e Lokomotiv, antes de voltar a Alvalade pela mão de Rúben Amorim.
Anderson: os fãs mais novos talvez não se recordem do talentoso médio-ofensivo brasileiro Anderson, mas quem o viu jogar pelo Porto certamente ainda não esqueceu o seu rigor técnico e criatividade dentro do campo. Anderson chegou ao Manchester United na categoria de “próxima superestrela” mundial, mas acabou por ser utilizado maioritariamente como trinco no 11 de Alex Ferguson.
De forma impressionante, acabou por ficar por 8 anos em Manchester antes de se retirar do futebol em 2020: tinha apenas 31 anos e jogava pelo modesto clube turco Adana Demirspor.