Quando o Benfica estava atrás era notícia, e agora?
Lembram-se de, há poucas semanas, andarem pelos grupos de benfiquistas as críticas por causa de uma avaliação que colocava o Benfica abaixo do lugar a que muitos consideravam estar habituado?
Lembram-se do que escreveram os jornais e do festival que se seguiu nas redes sociais dos rivais? Afinal, o Benfica estava em queda, tinha sido ultrapassado e apareceu toda uma série de conclusões feitas à medida do resultado daquele estudo.
Pois bem, agora apareceu uma nova avaliação e quero ver se o entusiasmo será o mesmo.
Convém esclarecer que não estamos perante exatamente o mesmo estudo. A Brand Finance avaliava o valor das marcas dos clubes. A Brands Capital Sports faz uma avaliação mais abrangente das sociedades desportivas.
E nesta avaliação há um novo líder.
A Benfica SAD é considerada a mais valiosa do futebol português, com um valor médio estimado de 581,23 milhões de euros.
O FC Porto aparece em segundo, com 513,63 milhões, e o Sporting, que liderava a anterior edição deste estudo da Brands Capital Sports, desce agora para o terceiro lugar, com 493,12 milhões.
A edição de setembro passou ainda a considerar três novas variáveis: o valor elegível das equipas B, a situação contratual dos jogadores, incluindo empréstimos, renovações e vínculos próximos do final, e os novos resultados financeiros públicos.
A informação utilizada tem como referência tudo aquilo que estava disponível até às 23h59 do dia 4 de setembro de 2026.
E é importante perceber o que está realmente a ser avaliado.
Não estamos a falar apenas do preço dos jogadores, nem de uma estimativa sobre quanto alguém teria de pagar para comprar uma SAD. A Brands Capital Sports procura analisar a capacidade de cada sociedade para criar, manter e transformar valor ao longo do tempo.
No caso do Benfica, entram fatores como a força da marca, a dimensão da comunidade, a capacidade comercial, os ativos desportivos, a estrutura e a informação financeira disponível.
O resultado coloca a Benfica SAD num intervalo estimado entre 523,10 e 639,35 milhões de euros, com uma média de 581,23 milhões.
Curiosamente, o Benfica nem precisou de uma valorização extraordinária para chegar ao primeiro lugar. Face a abril, cresceu apenas 0,38%, cerca de 2,23 milhões de euros.
Agora quero ver o tratamento.
Quando aparece uma avaliação desfavorável ao Benfica, há títulos, debates, publicações nas redes sociais e especialistas a explicar durante horas aquilo que os números supostamente dizem sobre o clube.
Agora que o Benfica aparece no primeiro lugar de uma avaliação global das SAD portuguesas, veremos se existe o mesmo entusiasmo.
Não é preciso esconder o estudo anterior.
É muito simples.
Quando os números são maus para o Benfica, falem deles.
Quando são bons, falem também.
Chama-se manter o mesmo critério.
