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Reunião na Luz: estiveram mesmo só três pessoas nessa sala?

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Há uma hipocrisia confortável instalada na comunicação desportiva portuguesa, e convém dizê-lo sem rodeios: quem acompanha o futebol sabe que os clubes não esperam pela fotografia oficial para começar a trabalhar com o próximo treinador. Sabem-no, aceitam-no quando convém, e ignoram-no quando o alvo é o Benfica.

A novela que serve quem precisa de audiência

As especulações diárias sobre quem vai sentar no banco da Luz não são jornalismo. São gestão de audiências. Cada nome lançado ao ar, cada fonte anónima citada, cada painel de comentadores a repetir os mesmos nomes, serve um propósito claro: manter pressão sobre o clube e preencher horas de emissão. O Benfica, como qualquer instituição séria, não vai confirmar nem desmentir enquanto não há contrato assinado. Isso não é fuga. É competência.

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O caso de José Mourinho é o espelho perfeito desta desonestidade. Toda a gente aceitou, sem grande escândalo, que o técnico já estava a trabalhar com o Real Madrid antes de qualquer anúncio formal. Reuniões, chamadas, alinhamentos táticos, conversas com dirigentes, tudo acontece antes da conferência de imprensa. Ninguém fingiu espanto. Ninguém acusou o Madrid de falta de transparência.

Dois pesos, a mesma balança partida

Quando o raciocínio se aplica ao Benfica, a memória falha convenientemente. Os mesmos especialistas em vacuidades, que passam tardes a analisar o que Mourinho poderá ter dito numa videochamada com Florentino, recusam-se a conceder ao clube da Luz a mesma lógica elementar. Ou são incapazes de raciocinar com consistência, ou são desonestos. Não há terceira opção simpática.

A reunião de ontem entre o presidente, o CEO e o diretor desportivo do Benfica é um facto. O que foi discutido, ninguém sabe ao certo. Mas a questão que fica suspensa é legítima: numa era em que a tecnologia permite que qualquer pessoa participe numa reunião a partir de qualquer ponto do mundo, será que estiveram apenas três pessoas nessa sala? A pergunta não é retórica. É o raciocínio que os comentadores deveriam estar a fazer em vez de repetir rumores de segunda mão.

O Benfica não precisa de explicações a meio do processo

Os clubes de topo operam com discrição nos momentos decisivos. Isso não é arrogância, é profissionalismo. Quando o nome do novo treinador for anunciado, muitos vão fingir surpresa. Outros vão dizer que sempre souberam. O que nenhum vai admitir é que, durante semanas, preferiram o espetáculo à análise.

O Benfica já sabe o que quer. A questão é quando nos vão deixar saber a nós.

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