
Cinco golos em seis jogos, cinco deles a titular, mais uma assistência pelo meio. Este é o Prestianni de agora, e é bem diferente daquele que a Luz observava com uma certa desconfiança há um ano. Os números não mentem, e a Direção encarnada reparou neles.
O extremo argentino bisou na goleada por 3-1 ao Aarhus, resultado que carimbou a entrada do Benfica na fase de liga da Liga Europa, e Rui Costa não deixou dúvidas sobre o que isso significa para o futuro do jogador. Questionado na zona mista, o presidente foi direto ao assunto: é outro dos jogadores que o clube quer manter, sem margem para interpretações.
Curioso é o percurso até aqui. Prestianni sempre teve o talento reconhecido internamente, ninguém discutia isso. O problema estava noutro lado, numa personalidade demasiado quente para os noventa minutos e numa certa lentidão a resolver os lances decisivos. Chegou a haver quem ponderasse vendê-lo. Mourinho mudou essa equação na temporada passada, Marco Silva deu-lhe continuidade, e o argentino percebeu finalmente o que lhe faltava: transformar exibições bonitas em golos e assistências a sério.
Há ainda uma segunda batalha, mais discreta, que o jogador trava consigo próprio. Depois do episódio com Vinícius Júnior na época passada, que valeu um processo da UEFA por alegado racismo, manter a cabeça fria tornou-se tão importante como marcar golos. Frente ao Aarhus, debaixo de agressividade dos adversários e assobios da bancada dinamarquesa, Marco Silva destacou precisamente essa estabilidade emocional. E há um pormenor que diz tudo sobre o trabalho feito nos bastidores do balneário, esse sim visível para quem estava atento: depois do golo, Prestianni não foi festejar para a bancada nem para os colegas mais próximos. Correu direito ao banco, para os braços de Ricardo Rocha, o adjunto que o acompanha desde a era Roger Schmidt.
O clube não anda a fazer isto por acaso. Blindar um jogador com contrato até 2029 pode parecer prematuro, mas a lógica é simples: quanto maior a valorização, maior o risco de acordos futuros ficarem mais caros ou mais complicados. Segundo avança A Bola, o tema da renovação de Prestianni ganhou ainda mais força por surgir ao lado das negociações com Andreas Schjelderup, cujo processo contratual está a revelar-se mais espinhoso. No caso do argentino, jogador, treinador e Direção parecem alinhados na mesma ideia: é hora de garantir o futuro antes que o mercado o torne demasiado caro.

