Se Rafa não seguia isolado, então seguia para onde?
Se a arbitragem de Luciano Gonçalves está sob investigação policial, os antigos árbitros que comentam nos jornais parecem concorrer para novos programas de humor no desporto.
No jogo do Benfica de ontem houve dois casos graves e um terceiro em que, com muito esforço, lá tiveram de assinalar penálti.
Se o central do Benfica tivesse desmaiado ou saído a sangrar, talvez o defesa do Moreirense tivesse sido expulso. Como já vi não assinalarem penálti num clássico em que Darwin acabou a sangrar de um pé, também não ficaria escandalizado se nada tivesse acontecido.
O primeiro lance, que poucos antigos árbitros comentaram, foi o de Rafa.
O Record nem sequer o analisou e, entre os que o fizeram, houve quem pedisse apenas falta e cartão amarelo para Maracás.
Não sei se viram realmente o lance todo, porque muitas vezes parece que lhes apresentam apenas uma imagem parada.
Rafa levava a bola dominada e seguia isolado para a baliza. No momento em que é cometida a falta, não tinha qualquer adversário pela frente.
Se este lance acontecesse com outra equipa, tenho poucas dúvidas de que hoje muitos destes ex-árbitros estariam a pedir expulsão.
O segundo lance foi o penálti que ficou por assinalar sobre Pavlidis.
E aqui surgiram comentários de antigos árbitros dignos de um programa de humor.
Uns dizem que Pavlidis joga primeiro a bola com o braço. Outros dizem que coloca os pés para trás à procura do contacto. Outros ainda defendem que o avançado leva um troca-pés e depois se deixa cair.
A pergunta que deixo é simples: quem é que leva um troca-pés e consegue continuar normalmente em pé?
Pavlidis só joga a bola com o braço depois de ser carregado pelo adversário. As leis são claras quanto à sequência das infrações, deve ser considerada a primeira infração e não aquilo que acontece posteriormente como consequência do contacto.
Depois chegamos ao terceiro lance, o penálti que Fábio Veríssimo só assinalou depois de muita dificuldade e após intervenção do VAR Rui Costa.
O Jogo diz que não existe penálti porque o defesa do Benfica faz jogo perigoso.
Mais um momento de enorme humor.
Ou os três antigos árbitros de O Jogo não conhecem as notas adicionais e instruções transmitidas aos árbitros, ou então precisam de voltar à reciclagem.
É considerado jogo perigoso quando um atleta levanta o pé acima da cintura numa situação em que coloca em risco o adversário.
Também é considerado jogo perigoso quando um jogador baixa a cabeça abaixo da cintura e, ao disputar a bola dessa forma, acaba por sofrer o contacto.
Não foi isso que aconteceu com o jogador do Benfica.
No momento do contacto, Lenglet já tinha cabeceado a bola e a sua cabeça encontrava-se acima da cintura. Quem tinha o chamado pé alto era Maracás.
Para mim, não havia qualquer dúvida.
Era penálti.
Os três minutos de análise de Fábio Veríssimo devem ter sido consequência do cansaço acumulado de dois jogos em menos de 48 horas.
E, por falar em Fábio Veríssimo, estamos perante um árbitro que já apitou Benfica e Sporting esta temporada e que, na minha opinião, acumula três erros importantes.
Um penálti por assinalar a favor do Benfica no jogo de ontem.
Um vermelho por mostrar a Maracás no lance em que trava Rafa, que seguia isolado para a baliza.
E, anteriormente, no Sporting-Alverca, um vermelho por mostrar a Geny Catamo.
Perante isto, qual foi a justificação para Luciano Gonçalves nomear Fábio Veríssimo para este jogo?
Um árbitro que voltou a deixar decisões importantes por tomar num encontro do Benfica.
E qual é a justificação para nomear, para o próximo jogo do Benfica, mais um árbitro da Associação de Futebol do Porto que inicialmente não passou nos testes físicos?
É para tentar cavar ainda mais o fosso para o FC Porto?
Num contexto normal, esta pergunta poderia ser considerada exagerada.
Mas quando o próprio Conselho de Arbitragem está sob investigação e existem dúvidas públicas sobre os critérios das nomeações, é legítimo questionar.
Quanto menos transparência existe, mais perguntas vão surgir.
E enquanto esconderem notas, critérios e explicações, não podem depois ficar surpreendidos quando os adeptos começam a desconfiar de tudo.
