Sport TV levou uma goleada da TVI nas audiências
O povo benfiquista mostrou ontem, mais uma vez, a sua força. Houve enchente nas bancadas, mas também nas audiências televisivas.
A CMTV ainda lançou a habitual choradeira por o Moreirense-Benfica ter sido colocado praticamente à mesma hora do jogo do Sporting, defendendo que não cabia na cabeça de ninguém marcar a partida para aquele horário e que deveria ter sido disputada mais cedo.
Estão mal habituados.
Durante demasiados anos, a Sport TV teve praticamente o monopólio dos horários e foi-se criando a ideia de que tudo tinha de ser organizado em função da televisão, muitas vezes colocando os adeptos em segundo plano.
Desta vez, com a TVI a transmitir o Moreirense-Benfica em sinal aberto, não houve medo da concorrência direta de outro jogo importante.
O Moreirense-Benfica começou às 20h45 e foi transmitido pela TVI.
Havia Sporting, havia futebol europeu e havia concorrência.
E qual foi o resultado?
Casa cheia e uma goleada também nas audiências.
A TVI registou uma audiência média de cerca de 1 milhão e 336 mil espectadores no jogo do Benfica, enquanto o encontro do Sporting na Sport TV ficou próximo dos 280 mil.
Ou seja, não foi preciso proteger horários nem fugir da concorrência.
Foi preciso ter o Benfica.
A TVI percebeu a dimensão do clube e aquilo que pode representar para uma televisão generalista transmitir um jogo desta natureza.
É também por isto que, com a entrada da LiveMode e com mais futebol disponível em sinal aberto, começa a fazer cada vez menos sentido o modelo tradicional em que um adepto paga mais de 30 euros por mês para ter acesso essencialmente à Liga portuguesa.
Principalmente quando aquilo que recebe em troca está longe de ser um produto premium.
Transmissões que precisam de melhorar, narradores que demasiadas vezes chegam mal preparados, comentários que parecem variar conforme a equipa que está em campo e profissionais que chegam ao ponto de não saber corretamente os nomes dos jogadores.
Salvam-se, muitas vezes, alguns antigos treinadores e jogadores, porque conseguem acrescentar conhecimento do jogo.
O resto começa a ser cada vez mais difícil de justificar perante o adepto tradicional.
E é precisamente aqui que entra a centralização dos direitos televisivos.
A centralização não pode servir apenas para trocar o nome de quem recebe o dinheiro ou para concentrar novamente tudo num canal carregado dos mesmos vícios.
Tem de servir para mudar o produto.
Mais jogos em sinal aberto.
Novas plataformas.
Melhores horários.
Melhor realização.
Mais câmaras e melhor posicionadas.
Melhor preparação de narradores e comentadores.
Mais respeito por quem está em casa e, principalmente, por quem vai ao estádio.
Os novos tempos exigem novos métodos para potenciar o ouro que existe no futebol português.
A Sport TV parece continuar agarrada a um modelo de televisão de outra época.
Ontem tivemos uma pequena amostra daquilo que pode acontecer quando um grande jogo da Liga chega verdadeiramente ao grande público.
O Benfica não teve medo de competir pelas audiências.
A TVI também não.
E os números responderam.
Talvez seja isto que quem anda a discutir centenas de milhões de euros pela centralização dos direitos televisivos devesse começar a estudar.
Porque antes de tentar descobrir quanto vale o campeonato, convém perceber quem realmente consegue fazê-lo chegar às pessoas.
