sporting descartou despedida de Peyroteo, mas foi o Benfica que o ajudou

Quase 40 anos depois sem que quase ninguém lhe passasse cartão, o derby deste fim de semana vai ter o nome de Peyroteo nas camisolas do sporting. Numa cópia autêntica ao que aconteceu no clássico SL Benfica – fc porto, o sporting procura homenagear uma antiga glória que na altura lhe foi negada por parte dos dirigentes do sporting devido às demasiadas coisas que tinham para fazer na altura. Foi o Sport Lisboa e Benfica que lhe estendeu a mão e ajudou Peyroteo conforme diz o seu livro de memorias que passamos a divulgar.

12278894_1280924658614697_8619697859639772166_n

Publicidade

“Ficou assente que o resultado financeiro líquido (das deslocações do Sporting a Espanha para defrontar Barcelona e Real Madrid) reverteria a meu favor, no caso de chegarem a bom porto as negociações com os dois clubes espanhóis.
Como é fácil de calcular, não cabia em mim de contente. Primeiro, porque me era dada a possibilidade de envergar a camisola do Sporting por mais uma época e, em segundo lugar, porque via resolvidas as minhas dificuldades.”

“Infelizmente, as coisas correram de maneira contrária ao nosso desejo e, por isso, vamos, então tratar de fazer a sua festa aqui…”
Fui informado pela direcção do Sporting que na verdade, o Sporting iria a Espanha fazer os dois jogos mas com poucas ou nenhumas possibilidades de êxito financeiro.
(…) Eu já sabia que as deslocações do Sporting lhe trariam um lucro aproximado de 60 a 70 contos…Adivinhem pois como ouvi a comunicação, não é verdade?”

“- Você terá a melhor festa de todos os tempos, homem! Não se preocupe com isso (…)”

“Enfim, abandonei o futebol para nunca mais tomar parte em jogos oficiais. Mas a organização da minha festa de despedida tem tanto de contar como a Nau Catrineta”.

“(Presidente do Sporting) – Então o que o traz por cá?
Respondi: – Venho tratar do que ficou assente e combinado: a minha festa de despedida!
– Lamento muito mas não posso agora tratar disso. Tenho muito que fazer.
Logo no primeiro embate com a direcção do meu clube fiquei com a impressão que dali por diante, as coisas tomariam feição desagradável.”

“Agradeci muito a oferta e saí a caminho da Associação de Futebol de Lisboa. Sentia-me tão desorientado com o que se estava a passar que desci a Travessa Larga completamente inconsciente. Tive a sorte de encontrar no corredor o Vice-Presidente do Benfica, Sr.Francisco Retorta. Pedi-lhe alguns minutos em particular, que acedeu gentilmente como sempre.
(Francisco Retorta) – Essa data está, contudo tomada pelo Benfica. Se não for para jogar com o Barcelona será para qualquer outra organização desportiva do clube. Mas se você estiver interessado em fazer a sua festa no dia 5 de outubro e se o Barcelona não vier a Lisboa, estou crente que o Benfica lhe cederá a data que lhe está reservada. Prometo-lhe que o Benfica, além de lhe ceder a data, não realizará em 5 de outubro qualquer festival desportivo.
– Mas senhor Francisco Retorta, lembro-lhe que essa data só me será concedida se o Benfica desistir dela a tempo de eu tratar dos pormenores da minha festa…
– Vá descansado, Peyroteo. Trate de tudo porque o Benfica o ajudará no que necessitar. Você bem merece.”

“O contraste que surge no choque da minha amargura pelo caminho que a direcção do meu clube estava a fazer seguir a efetivação da minha festa, e a radiante alegria que de mim se apoderou ao ouvir a promessa do Vice-Presidente do Benfica – DO BENFICA…promessa que era a garantia de poder realizar a minha festa – o choque, o contraste, não me permitem por delicadeza e pelo respeito que me merecem os dois grandes clubes e as suas massas associativas, agradecer ao Benfica, como seria meu desejo. Que o leitor pense o que me apetece dizer…”

“Agradeci ao Sr.Francisco Retorta. Mas que palavras encontrarei para gravar, nestas páginas humildes do meu livro de memórias, o agradecimento que devo ao Benfica representado pelo seu Vice-Presidente..

Não sei bem quem deveria homenagear a antiga glória, se o sporting se o Sport Lisboa e Benfica. Os verdes e brancos não quiseram saber dele quando terminou a carreira e só agora se lembram porque o Eusébio teve as honras de Panteão Nacional e para haver mais uma “picardia” criada por aquele clube.

Quem quiser ler o livro aqui fica o LINK