Três bebidas por pessoa e copos de 25 centilitros: assim foi o primeiro teste de venda de álcool num estádio português
Três bebidas por pessoa. Copos de 25 centilitros. Teor alcoólico a não passar dos 6%. Números concretos, sem faixa a anunciar história a fazer-se. O FC Porto venceu o Torreense por 1-0 nessa tarde e o resultado, como é normal, ficou no centro das conversas. Mas foi ali, entre bilheteiras e portões, discretamente, que Portugal testou pela primeira vez a venda de álcool dentro de um recinto desportivo numa competição oficial.
Não é capricho de um clube com pressa de vender mais cerveja. Existe um despacho a sustentar isto, assinado por Luís Neves, Ana Paula Martins e Margarida Balseiro Lopes. É esse documento que define, ao milímetro, o que pode entrar num tabuleiro e o que fica de fora.
As regras são simples de enumerar. Três bebidas por compra, no máximo. Nada de encher o tabuleiro para a fila toda. O teor alcoólico limitado a 6% deixa cerveja e pouco mais na equação, esqueçam vinho ou destilados. E o copo não passa dos 25 centilitros. Um tamanho que dá para brindar ao golo, não para o desafiar depois de o golo sair ao rival.
Portugal juntou-se assim a um grupo de países que discutem isto há anos, sempre com o mesmo dilema por resolver, equilibrar a experiência do adepto com a segurança nas bancadas. E é aqui que entra a pergunta que interessa a quem enche a Luz ou o Dragão todos os fins de semana. Uma Supertaça com bancadas a meio gás é um laboratório confortável. Sessenta mil pessoas num jogo grande, com rivalidade a sério e álcool a circular, é outra conversa completamente diferente. Três copos por compra pode parecer pouco numa fila de bilheteira, mas ninguém impede o adepto de voltar à fila vinte minutos depois. A regra existe no papel, a fiscalização é que vai decidir se existe também na prática.
O piloto na Supertaça é, para já, só isso, um piloto. O caminho até chegar aos jogos grandes ainda vai a meio, avançou a Record. Fica a dúvida de quem anda nos estádios há anos, isto chega mesmo à Luz e ao Dragão em jogo a sério, ou fica arquivado como mais uma experiência bonita no papel e complicada nas bancadas?


